Cientista russo sugere mecanismo contra envelhecimento

Londres, 26 nov (EFE).- O bioquímico russo Mikhail Shchepinov acredita ter achado a fórmula para lutar contra os radicais livres que, segundo alguns cientistas, causam o envelhecimento: utilizar um isótopo de hidrogênio mais pesado.

EFE |

Em artigo publicado pela revista britânica "New Scientist", ele afirma que presença desse isótopo, denominado deutério, no corpo humano contribuiria para frear a ação dos radicais livres e propõe incorporá-lo à dieta para este fim.

A hipótese mais aceita pela comunidade científica sobre o envelhecimento é de que ele resulta de um dano irreversível das biomoléculas do corpo, causado por radicais livres de oxigênio.

Estes radicais são compostos químicos produzidos pelo metabolismo e são perigosos porque têm um "apetite voraz" pelos elétrons, que rouba a água, as proteínas, as gorduras e inclusive as moléculas de DNA, deixando um rastro de destruição em seu caminho.

O corpo humano produz centenas de antioxidantes, incluindo vitaminas e enzimas que desativam os radicais livres antes que estes causem qualquer dano, mas esses sistemas de defesa acabam falhando, também vítimas de ataques oxidantes.

Shchepinov propõe uma luta contra os radicais livres baseada no "efeito isótopo": a presença de isótopos pesados em uma molécula pode desacelerar as reações químicas porque formam ligações químicas mais fortes.

As ligações com o isótopo deutério, que tem o dobro do peso do hidrogênio mais comum e mais estável, são oitenta vezes mais fortes do que o habitual.

Portanto, argumenta o bioquímico, sua presença nas biomoléculas as tornaria mais resistentes aos ataques dos radicais livres do oxigênio.

A partir dessa teoria, o russo planeja criar alimentos ricos em aminoácidos que contenham este elemento de modo que ele se incorpore naturalmente ao organismo, assim como comercializar água na qual a molécula de oxigênio tenha se aliado ao deutério.

Antes, porém, ele precisará provar que sua ingestão é totalmente segura e que seus efeitos são eficientes em frear os ataques oxidantes dos radicais livres.

Além disso, atualmente é muito caro produzir o deutério: um litro de água que o contenha custa em torno de US$ 300 (ou cerca de 232 euros).

Finalmente, como lembram alguns cientistas, não é seguro que os radicais livres sejam a única causa do envelhecimento.

A idéia de Shchepinov atraiu cientistas de diversas instituições, como o Instituto de Química Orgânica de Moscou e o Instituto de Biologia do Envelhecimento de Moscou, na Rússia; a Universidade do Estado de Minsk, em Belarus; e o Einstein College of Medicine de Nova York e a Universidade da Califórnia, nos Estados Unidos. EFE vmg/jp

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