Cientista paquistanesa nega estar louca ou ser contra os EUA

Uma neurocientista paquistanesa acusada de ligação com a Al Qaeda negou estar louca ou ser contra os Estados Unidos perante um tribunal de Nova York, que debateu nesta segunda-feira sua condição mental para ser julgada.

AFP |

"Não sou psicótica", declarou Aafia Siddiqui, de 37 anos, durante a audiência em um tribunal do distrito sul de Nova York. Ela é acusada por tentativa de assassinato contra agentes americanos no Afeganistão.

Siddiqui foi obrigada pelo juiz Richard Berman a participar da audiência, na qual seus defensores alegaram que ela sofria de "paranóia alucinatória" para evitar um julgamento. Os promotores, no entanto, afirmaram que tudo não passa de simulação.

Berman escutou durante várias horas os argumentos antagonistas das duas partes, sustentados com a opinião de psiquiatras e interrompidos por intervenções intempestivas de Siddiqui.

"Apesar de todos os esforços de vocês, eu estou sã", disse a cientista, que compareceu ao tribunal usando um véu e negou sistematicamente com gestos de cabeça e expressões de exasperação as declarações dos advogados, dos especialistas e do juiz.

Siddiqui deve responder por quatro acusações: tentativa de assassinato de cidadãos americanos fora dos Estados Unidos, tentativa de assassinato de oficiais americanos, porte e uso de armas de fogo com fins criminosos e agressões contra agentes americanos.

A paquistanesa, que pode ser condenada a até 30 anos de prisão, se declarou inocente no ano passado, pouco depois de sua extradição do Afeganistão, onde foi capturada há um ano.

Segundo a versão da promotoria, no dia seguinte à sua prisão, quando agentes americanos a visitaram na prisão em que era mantida no Afeganistão, Siddiqui se apoderou de uma arma e disparou duas vezes, sem conseguir acertar ninguém. Para se defender, um dos agentes abriu fogo contra a suspeita e a feriu no peito.

"Eu não disparei contra ninguém", afirmou Siddiqui, antes de declarar que queria "fazer a paz". "Não sou contra os Estados Unidos, sou contra a guerra", disse. "Estou preocupada com as vidas que estão sendo perdidas".

O juiz indicou que não tomaria nenhuma decisão nesta segunda-feira sobre a condição de Siddiqui de ser julgada.

ltl/ap

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