Cientista iraniano é "livre para deixar os EUA"

EUA fazem declaração após Shahram Amiri refugiar-se na Embaixada do Paquistão em Washington; Irã acusa CIA de tê-lo sequestrado

iG São Paulo |

AFP
Imagem exibida por TV iraniana mostra homem que diz ser o cientista Shahram Amiri em dois vídeos divulgados no YouTube
O físico nuclear iraniano Shahram Amiri se encontra nos EUA por vontade própria e é livre para partir, declarou nesta terça-feira o porta-voz do Departamento de Estado americano. "Ele está aqui por sua própria vontade e obviamente é livre para partir", afirmou o porta-voz Philip Crowley.

Amiri que, segundo Teerã, teria sido sequestrado pelos serviços secretos americano no ano passado, refugiou-se no escritório de interesses iranianos localizada na Embaixada do Paquistão em Washington , informou a imprensa estatal.

O cientista confirmou, num telefonema à tv estatal iraniana, que se encontra na representação de seu país e declarou que os EUA "são o grande perdedor" no caso de seu sequestro.

O Irã reagiu dizendo esperar o retorno "sem obstáculo algum" por parte dos EUA de Amiri, declarou nesta terça-feira em Madri o ministro iraniano das Relações Exteriores, Manuchehr Mottaki. "Temos a esperança de que sem obstáculo algum ele possa voltar a seu país, que não criem obstáculos para seu retorno a sua pátria", indicou o chanceler iraniano.

"Recebemos a notícia de que Shahram Amiri foi sequestrado na Arábia Saudita há dois anos. Estava recentemente nos EUA Unidos e se refugiou no escritório de interesses iranianos , na Embaixada do Paquistão em Washington", declarou o ministro iraniano. O escritório de representação iraniano funciona dentro da embaixada paquistanesa, mas é administrado por iranianos. Os Estados Unidos cortaram as relações diplomáticas com o Irã pouco após a Revolução Islâmica de 1979.

Em declarações à televisão estatal iraniana, Amiri indicou que durante os últimos 14 meses foi "submetido a uma pressão psicológica grande e vigiado por homens armados". O cientista não indicou o lugar de sua detenção nem como conseguiu chegar ao escritório de interesses iranianos, declarando que se sentia "feliz" por estar ali.

Um porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Paquistão, Adbul Basit, disse à BBC que Amiri está buscando uma repatriação imediata ao Irã. Em junho, foram divulgados vídeos que supostamente mostravam Amiri, mas com informações contraditórias sobre seu paradeiro e sua condição .

Programa nuclear

A mídia iraniana diz que Amiri trabalhava como pesquisador na Universidade de Teerã, mas alguns relatos afirmam que ele trabalharia para a agência iraniana de energia atômica e teria um profundo conhecimento do polêmico programa nuclear do país.

A rede americana de TV ABC News relatou em março que ele havia desertado e estaria colaborando com a CIA, fornecendo informações valiosas sobre o programa nuclear iraniano. Mas, no início do mês, o governo do Irã disse ter provas de que ele estaria sendo mantido à força nos EUA.

A acusação foi feita após três vídeos mostrando supostamente Amiri terem sido divulgados – o primeiro dizendo que ele havia sido sequestrado, o segundo dizendo que ele estava vivendo livremente no Arizona, e o terceiro dizendo que ele havia escapado de seus sequestradores.

Embaraço americano

Segundo a BBC, a súbita aparição de Amiri na embaixada paquistanesa parece confirmar a versão iraniana e representa um grande constrangimento aos serviços de inteligência americanos, podendo levar a um conflito diplomático.

De acordo com o Ministério das Relações Exteriores do Paquistão, o chefe do escritório de representação iraniano em Washington, Mustafa Rehman, planeja repatriar o cientista ao Irã. Mas apesar de as autoridades americanas não poderem entrar nas dependências diplomáticas estrangeiras, elas podem impedir Amiri de sair do prédio.

Vídeos contraditórios

Os dois primeiros vídeos supostamente mostrando Amiri foram divulgados pelo YouTube no dia 8 de junho , com informações contraditórias.

No primeiro, inicialmente divulgado pela mídia iraniana, um homem que se diz Amiri diz ter sido sequestrado pelos Estados Unidos durante uma peregrinação à cidade saudita de Medina e diz que estaria vivendo no Estado americano do Arizona. Na ocasião, o governo iraniano descreveu o vídeo como prova de que ele estaria sendo mantido nos Estados Unidos contra sua vontade.

No segundo vídeo, colocado horas depois no YouTube, um homem com aparência semelhante também dizia ser o cientista e afirmava estar vivendo livremente e com segurança nos Estados Unidos.

O terceiro vídeo, divulgado pela TV iraniana em 29 de junho, mostra um homem que diz ser o cientista afirmando ter escapado de seus captores. “Eu, Shahram Amiri, sou um cidadão da República Islâmica do Irã, e há alguns minutos consegui escapar de agentes de segurança americanos na Virgínia”, afirma o homem no vídeo. “No momento, estou produzindo este vídeo em um lugar seguro. Posso ser preso novamente a qualquer hora”, diz ele.

*Com BBC, AFP e EFE

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