Cientista identifica neurônio que reage a celebridades

Cientistas descobriram que entre os bilhões de neurônios presentes no cérebro existe um que acaba reagindo individualmente quando uma pessoa se depara com a imagem de uma pessoa conhecida. Esse tipo de neurônio, batizado de neurônio Jennifer Aniston - em homenagem à atriz que faz Rachel nos seriado americano Friends -, pode ajudar cientistas a entender como as imagens são processadas no cérebro e transformadas em memória.

BBC Brasil |

O estudo, a ser apresentado na Universidade de Leicester, na Inglaterra, constatou, em testes com voluntários, que quando uma pessoa se depara com a foto de uma celebridade, como por exemplo Jennifer Aniston, uma célula específica responde com um aumento na sua atividade de geração de impulsos nervosos.

Quando a mesma pessoa depois recebia fotos de outras celebridades - como Hale Berry, Tom Cruise ou Oprah Winfrey - a resposta vinha em outras células individuais totalmente diferentes.

Segundo o estudo do professor argentino Rodrigo Quiroga, neurônios específicos do cérebro reagem imediatamente à imagens familiares, como por exemplo, de parentes, amigos, ou celebridades.

"Estou examinando como as informações sobre o mundo externo (o que vemos, ouvimos ou tocando) e nossas próprias representações internas (por exemplo: memórias, emoções, etc) são representadas pelos neurônios no cérebro", disse Quiroga.

"Esses neurônios, normalmente, são bastante silenciosos, mas quando mostrávamos uma fotografia que eles 'gostavam', sua atividade aumentava em até mil vezes", disse Quiroga.

Ele ainda descobriu que observando esses neurônios em atividade, era possível supor o que os pacientes estavam vendo - eles literalmente conseguiam "ler" a mente dos pacientes.

Desafios
"Um dos maiores desafios científicos de nossa época é entender como a informação é representada pelos neurônios no cérebro", diz Quiroga.

A pesquisa também mostra como nós conseguimos reconhecer uma pessoa instantaneamente, mesmo se vista de costas, ou de um ângulo diferente, com cores diferentes ou em condições diferentes.

"Nesse estudo vimos que os conceitos, ou pessoas, são representados de maneira explícita e de maneira abstrata pela atividade de células singulares. Isso significa que um determinado neurônio vai entrar em atividade por conta da Halle Berry, não interessa como você a veja, mesmo que ela esteja vestida de Mulher-Gato, ou se você apenas ler o seu nome", explica.

"Agora, se um entre bilhões de neurônios reage à Halle Berry, então deve haver outros que reajam a outros conceitos. O que é surpreendente para a comunidade da neurociência é que neurônios particulares podem representar conceitos de modo tão abstrato."
Segundo o professor, na área estudada (o hipocampo), o cérebro "determina" neurônios particulares (não necessariamente um) para coisas diferentes que são relevantes ou conhecidas para o paciente.

"Apesar dos progressos espetaculares das últimas décadas, ainda estamos longe de compreender, por exemplo, como os estímulos visuais são processados para criar uma percepção consciente."
"Mas nós estamos apenas começando a entender como os neurônios do cérebro são capazes de criar representações tão 'abstratas'", disse ele.

O professor afirma que sua pesquisa tem alto potencial clínico para o desenvolvimento de neuro-próteses, como braços robóticos comandados por sinais enviados por neurônios a serem usados por pacientes paralisados.

A descoberta também tem potencial para o tratamento de pacientes de doenças como epilepsia, Alzheimer e esquizofrenia, e deve ajudar a compreender melhor como percepções e memórias são representadas no cérebro.

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