Londres, 1 out (EFE) - Os pterossauros, pré-históricos répteis com asas, não podiam voar, segundo um cientista japonês que afirma que os animais que pesavam mais de 40 quilos eram incapazes de se manter no ar.

A revista científica britânica "New Scientist" explica hoje a hipótese do professor Katsumi Sato, da Universidade de Tóquio, que jogaria por terra a crença de que os pterossauros, que poderiam pesar 250 quilos, eram um tipo de dragões que cruzavam os céus há 200 milhões de anos.

Sato chegou a esta conclusão após estudar o vôo de 28 aves de cinco espécies diferentes nas ilhas Crozet, entre Madagascar e a Antártica.

O cientista colocou pequenos acelerômetros - dispositivos que medem a aceleração e a força da gravidade - nas asas dessas aves, entre as quais se encontrava o albatroz-errante, a maior espécie capaz de voar na atualidade.

Ao contrário dos perus, cujas asas curtas são boas para uma decolagem rápida, mas não para voar, este albatroz - que pesa cerca de 22 quilos - é capaz de cruzar longas distâncias de forma dinâmica por usar as correntes de ar para se movimentar, e não suas asas.

Quando o vento diminui, ou sopra a uma velocidade constante, as aves têm que agitar suas asas, ou a resistência do ar e a gravidade as faria cair.

Sato descobriu que cada espécie voadora usa as asas em duas velocidades diferentes: rapidamente, para decolar, e devagar, para se manter no ar quando não há vento.

Segundo o cientista japonês, a velocidade máxima à qual um animal pode bater suas asas está limitada pela força dos músculos e diminui nas espécies mais pesadas de longas asas.

Por isso, Sato assegura que os animais com mais de 40 quilos seriam incapazes de bater as asas suficientemente rápido para permanecer no ar.

Uma ave com cerca de 40 quilos, explica, não teria margem de segurança suficiente para voar com mau tempo.

Esta hipótese não agradou aos paleobiólogos que tentam reconstituir o vôo dos pterossauros, porque acreditam que esses eram voadores dinâmicos.

No entanto, devido à sua envergadura, de mais de 15 metros, poderiam ter pesado mais de 250 quilos, algo que os situa fora do limite estabelecido por Sato.

Em resposta a isto, o cientista do Johns Hopkins Medical School de Baltimore (EUA) Mike Habib indica que, apesar de esse umbral ser "problemático", no caso dos pterossauros é preciso levar em conta as características anatômicas, fisiológicas e o meio ambiente no qual esses animais viviam. EFE vmg/db

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