Barcelona, 18 out (EFE).- Nenhum medicamento do mercado é capaz de frear o envelhecimento, nem sequer os famosos antioxidantes ou o hormônio do crescimento, e inclusive podem ser nocivos para a saúde, diz um ensaio do cientista espanhol Salvador Macip que reúne as últimas pesquisas nesta área.

Em seu estudo "Imortais, sadios e perfeitos", Macip aborda, entre outro assuntos, a luta que o homem manteve para encontrar a "imortalidade", ou pelo menos a maior longevidade possível, em um combate contra o envelhecimento através da ciência.

Há séculos se busca alguma substância que freie o envelhecimento, objetivo que gerou uma "indústria gigantesca montada" com base em "produtos e estratégias que nos asseguram que poderemos viver mais tempo" e que movimentará, apenas nos Estados Unidos, US$ 50 bilhões, sem ter demonstrado sua eficácia.

Macip, médico especializado em genética molecular após nove anos investigando o envelhecimento celular no Departamento de Ciências Oncológicas do Hospital Monte Sinai, em Nova York, diz que qualquer artigo em uma revista científica sobre algum desses produtos é usado depois por algumas empresas para vender mais.

A internet se transformou em um meio habitual para a promoção destas panacéias contra o envelhecimento - antioxidantes, hormônios ou derivados de vitaminas - que não só não têm nenhuma eficácia comprovada, como ainda podem ser perigosas para a saúde.

O uso de antioxidantes na dieta foi posto em dúvida há anos e inclusive há estudos que refletem que existe uma relação entre eles e o aumento de certos tipos de câncer, como o de próstata, mas, apesar destas "evidências científicas", um terço dos adultos dos países desenvolvidos continua os consumindo.

O hormônio de crescimento (HGH) - produzido pelo organismo principalmente na infância e na puberdade - combate a perda de massa muscular e, embora não tenha comprovado sua eficácia na batalha contra a idade, gerou uma "indústria em andamento" que parece ignorar seus efeitos colaterais como desenvolvimento de diabetes, hipertensão ou câncer.

Além disso, a chamada medicina regenerativa é criticada pelos pesquisadores, que afirmam que estes tratamentos não se baseiam em nenhum fundamento científico, o que não impediu seu sucesso.

Até o momento apenas algumas pesquisas realizadas em animais permitem falar de um possível controle do envelhecimento, como a regulação das proteínas relacionadas à insulina ou à restrição calórica dos alimentos ingeridos, uma via, no entanto, "pouco prática e perigosa".

Macip alerta que nos EUA já há grupos que praticam a restrição calórica em até 60%.

A esperança de vida média no planeta ronda os 75 anos graças à alimentação ou a melhora da saúde - que venceu os "depredadores microscópicos" - e permitiu que muitos humanos estejam morrendo de velhice e "não de alguma doença".

No entanto, Macip diz que, embora os avanços sanitários permitam esticar um pouco mais a esperança de vida, vencendo doenças até agora incuráveis, os corpos continuam se degenerando.

Quanto a este ponto, há uma divergência de opiniões: os que acham que a evolução não preparou o corpo humano para resistir mais que um certo tempo e os que acham que se a ciência conseguir combater as doenças, a longevidade do homem não terá limite.

Ao longo da história há casos surpreendentes, como o da francesa Jeanne Calment, que morreu em 1997 aos 122 anos, um exemplo que segundo Macip reflete que uma combinação de fatores genéticos e ambientais (o ambiente, o tabaco, a alimentação...) facilita uma longevidade natural.

A teoria da oxidação das células que afeta o DNA é uma das mais usadas para explicar o envelhecimento e, por isto, é uma das vias seguidas pelos especialistas, assim como a pesquisa sobre as células senescentes (envelhecidas) com as quais o próprio organismo combate o câncer, mas que por sua vez provoca a degeneração do corpo.

Macip conclui que, embora consiga mecanismos para reduzir o envelhecimento ou seus "sintomas" não seja um objetivo impossível, ou que cientistas como Lenny Guarante prevejam que a raça humana poderá aumentar o limite máximo de sua idade em 50%, só alguns anos permitirão dizer se todos esses prognósticos são de fato verdadeiros. EFE saf/ab/fal

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