Cientista dado como desaparecido há mais de um ano voltará ao Irã

Autoridades iranianas acreditam que Amiri foi levado ilegalmente da Arábia aos EUA por agentes dos serviços de inteligência norte-americanos

EFE |

O cientista nuclear iraniano Shahram Amiri, que na terça-feira pediu asilo na embaixada do Paquistão em Washington após ter sido dado por desaparecido durante mais de um ano, abandonou os Estados Unidos e viaja para Teerã, segundo informou nesta quarta-feira a "Press Tv", do Irã.

O cientista tinha pedido asilo na embaixada do Paquistão, que representa os interesses consulares do Irã nos Estados Unidos, já que os dois países não mantêm relações diplomáticas.

Segundo a rede de televisão iraniana, Amiri pediu à embaixada seu "imediato retorno" a Teerã. O acadêmico foi dado por desaparecido em meados de 2009 durante viagem de peregrinação a Meca, na Arábia Saudita e, segundo o Governo de Teerã, o cientista foi alvo de um sequestro realizado pelo Governo saudita com a ajuda dos serviços de espionagem de Washington.

As autoridades iranianas acreditam, além disso, que Amiri foi levado ilegalmente da Arábia aos EUA por agentes dos serviços de inteligência norte-americanos. Segundo a "Press Tv", o cientista foi libertado pelos EUA depois que seus serviços de inteligência não conseguiram sua colaboração em uma campanha de propaganda contra o programa nuclear iraniano.

A televisão acrescenta que agentes americanos chegaram a gravar entrevistas falsas com Amiri para tentar demonstrar uma suposta colaboração com as autoridades de Washington. No início de junho, foi transmitido na televisão iraniana um vídeo de muito baixa qualidade atribuído a Amiri, no qual ele afirmava ter sido sequestrado na Arábia e levado aos EUA contra sua vontade pelos agentes de serviços secretos da CIA.

No vídeo, Amiri também acusava agentes americanos de terem o torturado. No meio da confusão criada sobre o paradeiro do acadêmico, pouco depois foi publicada outra gravação na internet na qual um homem que dizia ser Amiri negava ter relações com o programa nuclear iraniano e afirmava ter viajado voluntariamente aos EUA para seguir seus estudos.

Em uma entrevista à "Press Tv", pouco antes de deixar os EUA nesta quarta-feira, Amiri assegura que foi levado a esse país contra sua vontade, e se refere às diferentes imagens divulgadas sobre ele desde que desapareceu.

"Meu desaparecimento é uma história. E já expliquei as razões que motivaram meu sequestro em vídeo que gravei para a televisão iraniana", assegura. "De fato, este vídeo, que consegui gravar após escapar das mãos da inteligência americana com a ajuda de alguns amigos, é totalmente verídico e não foi falsificado", disse.

Amiri também afirmou que estará em condições de relatar o que ocorreu durante o tempo que esteve desaparecido "quando retornar a meu querido país, Irã. Ali poderei explicar à imprensa e a minha gente, com tranquilidade, o que aconteceu durante os últimos 14 meses, incidentes que foram um mistério para muitos". "Poderei esclarecer, além disso, as acusações que foram feitas contra mim na imprensa internacional e pelo Governo dos EUA, que tentaram afundar minha reputação", ressaltou.

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