Cientista britânico diz que genética não é uma panacéia

Londres, 21 abr (EFE).- Um renomado cientista britânico advertiu hoje contra as falsas ilusões despertas pelas pesquisas genéticas, encaradas por muitos como uma autêntica panacéia.

EFE |

Em artigo publicado pelo jornal "The Daily Telegraph", o geneticista Steve Jones, chefe do departamento de biologia do University College de Londres, explica que houve "otimismo demais" em torno desse tipo de pesquisa.

"Esse otimismo não durou muito tempo, e a arrogância cedeu espaço para a preocupação", explicou Jones, que não nega que esses trabalhos deram certos resultados, mas que não se confirmou que se trate de uma "cura para todo tipo de doença".

O especialista britânico defende um replanejamento das pesquisas genéticas, financiadas com milhões de libras pelo Governo e organizações privadas como o Wellcome Truste.

Steve Jones disse ainda que ele é apenas um entre vários cientistas que começaram a colocar em xeque o enfoque atual do problema.

"Não se trata de matar a galinha dos ovos de ouro, de ser mal-agradecidos nem de criticar o programa de pesquisas do Wellcome Truste, uma ONG riquíssima que financiou boa parte da pesquisa que tornou possível decifrar o DNA humano", afirmou.

"Acreditamos que (a pesquisa genética) mudaria nossas vidas, mas tudo isso acabou sendo um falso amanhecer", escreveu o geneticista.

Segundo Jones, a ideia de que essas pesquisas constituiriam uma panacéia para todo tipo de doença, como o câncer ou a diabete, levou os cientistas a "um beco sem saída", por isso é necessário mudar esse enfoque.

Centenas de milhões de euros foram investidos nas pesquisas genéticas depois de os cientistas elaborarem o mapa do genoma humano em 2003.

Os cientistas embarcaram na busca pelos genes responsáveis por todos os tipos de doença do homem contemporâneo, com a esperança de identificar como responsáveis um reduzido grupo de genes.

No entanto, quanto mais se aprofundavam em suas pesquisas, mais se davam conta da complexidade do problema.

"A genética se tornou uma série de revoluções de expectativas decrescentes. Não se deve ser otimista demais", reconheceu. EFE jr/mh

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