Um cientista americano que trabalhou para a Nasa (agência espacial dos EUA) e para o Pentágono foi acusado, na segunda-feira, de tentativa de espionagem, segundo informações do Departamento de Justiça.

Stewart David Nozette, de 52 anos, é acusado de "tentar deliberadamente, comunicar, entregar e transmitir informação sigilosa, relacionada à defesa nacional dos Estados Unidos, a um indivíduo que acreditava ser um funcionário da inteligência israelense", informou o Departamento.

Ele foi preso nesta segunda-feira por agentes do FBI e deve comparecer a uma audiência em um tribunal de Washington nesta terça-feira. Caso seja condenado, a sentença pode ser a prisão perpétua.

"A conduta relacionada a este caso é séria e deve servir como alerta para qualquer um que possa considerar comprometer os segredos de nossa nação por lucro", disse o procurador-geral assistente, David Kris.

A acusação não faz qualquer alegação de que Israel ou alguém agindo em nome do país teria violado leis americanas.

Acesso

Nozette trabalhou para o governo para a Casa Branca no Conselho Nacional Espacial entre 1989 e 1990. Depois, ele passou dez anos no Departamento de Energia.

Em 2000, o cientista criou uma associação sem fins lucrativos com a qual participou do desenvolvimento de tecnologia de ponta para o governo americano.

"Entre 1989 e 2006, Nozette teve acesso a informações secretas e, regularmente, a documentos ligados à defesa dos Estados Unidos", afirmou o Departamento de Justiça em comunicado.

Em setembro, Nozette teve contato com um agente do FBI que se passou por um oficial da inteligência israelense. O cientista teria dito que estaria disposto a responder regularmente perguntas sobre informações secretas dos EUA em troca de dinheiro e de um passaporte israelense.

Ao longo do mês, o cientista teria enviado cartas com as respostas às questões. O conteúdo, segundo o departamento de Justiça, era classificado como "secreto e super secreto, sobre satélites americanos, sistemas de alerta, modos de defesa e retaliação contra ataques de grande escala, informações sobre inteligência de comunicação e importantes elementos da estratégia de defesa".

Ainda segundo o comunicado, Nozette teria aceitado um total de US$ 11 mil pelas informações.

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