CIDH continua visita a Honduras e Micheletti minimiza importância da Unasul

Tegucigalpa, 18 ago (EFE).- A Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) continuou hoje sua visita a Honduras para investigar violações nesse campo após a derrubada de Manuel Zelaya e se reuniram com os novos ministros da Defesa, Adolfo Sevilla, e da Segurança, Mario Perdomo.

EFE |

Ao mesmo tempo, o Governo do presidente de fato do país, Roberto Micheletti, diminuiu importância à posição da União das Nações Sul-Americanas (Unasul) de não reconhecer as futuras eleições hondurenhas.

Liderados por sua presidente, a venezuelana Luz Patricia Mejía, os enviados da CIDH chegaram nesta segunda-feira à Tegucigalpa.

Hoje, ouviram de Perdomo e dos chefes policiais informações sobre a atuação das autoridades - que reprimiram violentamente vários protestos a favor de Zelaya -, disse a jornalistas o porta-voz da Polícia, Orlin Cerrato.

A CIDH também conversou com o alto comando das Forças Armadas de Honduras, liderado pelo chefe do Estado-Maior Conjunto, general Romeo Vásquez.

Os representantes da CIDH não fizeram declarações à imprensa após as reuniões com militares e policiais hondurenhos.

Por sua vez, Micheletti disse que não está preocupado com o fato de a Unasul e a Aliança Bolivariana para as Américas (Alba) não reconhecerem as eleições previstas para 29 de novembro em Honduras e nem o novo Governo hondurenho em represália à derrubada de Zelaya, ocorrida em 28 de junho.

"Não temos preocupação por eles não reconhecerem o Governo ou nossos Governos", afirmou Micheletti em uma entrevista ao "Canal 5" da televisão local.

Para o presidente de fato em Honduras considera que "as relações comerciais" são mais importantes que as relações diplomáticas e ressaltou que o comércio com os países de Unasul é "mínimo".

"Não temos razão para buscar uma relação com eles, mas sim com os Estados Unidos, país que é o maior importador de produtos feitos em Honduras", explicou Micheletti.

Além disso, o novo Governo de Honduras anunciou que, a partir de hoje, as relações diplomáticas com a Argentina serão mediadas pela embaixada desse país em Israel.

A decisão obedece a uma medida recíproca, depois que Buenos Aires informou no último dia 13 que "a relação diplomática entre Argentina e Honduras será canalizada pela embaixada hondurenha nos Estados Unidos".

Uma nota oficial da Secretaria de Relações Exteriores de Honduras a sua similar da Argentina diz que a decisão foi tomada "no marco da mais estrita reciprocidade".

No último dia 13, o Governo da Argentina exigiu a interrupção das atividades da embaixadora hondurenha em Buenos Aires, Carmen Eleonora Ortez Williams, "por apoiar o Governo de fato de Roberto Micheletti", confirmaram fontes oficiais no país sul-americano.

Em Tegucigalpa, os seguidores de Manuel Zelaya voltaram hoje a exigir nas ruas o retorno do presidente deposto.

Em frente à Corte Suprema de Justiça, centenas de manifestantes também protestaram contra a possível condenação de três partidários de Zelaya acusados de terem participado de atos de vandalismo registrados na quinta-feira após um confronto com a Polícia.

"Depois de 52 dias do golpe, aqui ninguém se rende, seguimos em resistência até que o presidente Zelaya seja restituído no poder e que os golpistas deixem o Governo que usurparam pela força", disse à Agência Efe Rafael Alegría, dirigente camponês.

Alegría também é um dos líderes do movimento de resistência popular que exige o retorno de Zelaya e defende a instalação de um Assembleia Nacional Constituinte para reformar a atual Carta Magna, exatamente o que o governante deposto levaria a uma consulta popular em 28 de junho, quando foi derrubado. EFE gr-lam/bba

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