Cidades chinesas vão receber 500 milhões de camponeses nos próximos 30 anos

Pequim, 24 fev (EFE).- As cidades chinesas serão obrigadas a absorver 500 milhões de imigrantes procedentes do meio rural nos próximos 30 anos, segundo o jornal Beijing News.

EFE |

As informações foram apuradas na apresentação realizada por Han Jun, diretor do departamento de Economia Rural do Centro de Pesquisa e Desenvolvimento, organismo oficial pertencente ao Conselho de Estado (Executivo chinês).

Na atualidade, a população rural da China está calculada em 720 milhões de pessoas, mais da metade dos habitantes do país mais populoso do mundo. O número não inclui os camponeses que emigram temporariamente às cidades em busca de trabalho, grupo que chega a 180 milhões de pessoas.

No entanto, desse número, que somado totaliza 900 milhões, os especialistas acreditam que em três décadas a população rural vai cair para 400 milhões de habitantes.

"Com estes números líquidos, podemos ver claramente que a cada dia mais camponeses querem ser cidadãos urbanos e isso vai causar o aumento explosivo da população nas cidades", explicou Han.

Nos últimos 30 anos, a taxa de população urbana da China cresceu de 17% em 1979 para 45% no final de 2009, o que supõe o maior e mais rápido processo de urbanização vivido por um país na história.

Entre outros problemas, as metrópoles chinesas enfrentam o desafio do aumento extremo da densidade populacional em lugares como Pequim, Xangai (leste do país) e Chongqing (centro), onde se há até 60 mil pessoas por quilômetro quadrado.

O investigador acredita que a enorme migração vai obrigar a intensificação de medidas para evitar 'avalanches' de imigrantes em determinadas cidades.

Um desses sistemas é o "hukou", que divide os cidadãos em dois grupos: rurais e urbanos. Com a medida, as pessoas perdem seus direitos quando passam trabalhar em outro lugar.

Segundo as últimas estatísticas de Pequim, 27% dos 600 milhões de pessoas "urbanas" são imigrantes rurais, que trabalham na cidade mas mantêm o "hukou" do campo.

Isso significa que um de cada cidadãos ainda é camponês, e não goza dos mesmos direitos (casa, educação, seguridade social) que seus vizinhos.

Entretanto, recentemente o Governo chinês se dispôs pela primeira vez a reformar a lei para legalizar a situação de seus quase 200 milhões de emigrantes rurais nas cidades e dar a eles direitos iguais aos dos residentes urbanos.

EFE gmp/fm

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