Cidade mexicana contabiliza danos entre novos tremores e sem luz

Juan David Leal. México, 5 abr (EFE).- Após resistir ao poderoso terremoto de 7,2 graus na escala Richter, que deixou dois mortos e mais de 200 feridos, a cidade de Mexicali, capital do estado mexicano da Baixa Califórnia, amanheceu hoje entre contínuas réplicas e sem energia elétrica.

EFE |

A cidade, na divisa com a Califórnia (EUA) e de cerca de 940 mil habitantes, ficou sem luz depois que o terremoto atingiu duas linhas de transmissão conectadas com Tijuana, uma delas já reparada.

O tremor danificou ainda 27 subestações, 11 delas já consertadas e 16 em processo de restauração; a central geotérmica Cerro Prieto e uma linha de interconexão com Imperial Valley (EUA), o que prejudicou os habitantes de Mexicali e San Luís Rio Colorado.

Segundo o governador da Baixa Califórnia, José Guadalupe Osuna, a cidade teve entre domingo e segunda-feira mais de 100 réplicas, a primeira delas de 5,4 graus e as demais de menor magnitude, o que gerou medo entre a população. Algumas pessoas chegaram a passar a noite ao ar livre.

O governador disse que já foi possível bombear água potável novamente e que 30% do serviço elétrico foram recuperados até o momento. Assim, só 85 mil pessoas contam com energia na cidade.

Uma das vítimas, identificada como Taydé González, de 94 anos, morreu no Vale de Mexicali quando sua casa desabou, e a outra, um morador de rua desconhecido, foi esmagado por um muro.

Os feridos foram atendidos pela Cruz Vermelha e em outros centros hospitalares da região, que será visitada ainda hoje pelo presidente do México, Felipe Calderón.

A Baixa Califórnia instalou quatro abrigos para receber desabrigados e suspendeu hoje as aulas em todos os níveis educativos em Mexicali, assim como as atividades culturais e esportivas.

Em Mexicali, é possível ver fendas no asfalto, edifícios com partes danificadas, encanamentos rompidos, um bairro inundado e um estacionamento público destruído. Apesar de significativos, os danos não são comparáveis com os deixados por outros terremotos em Chile e Haiti.

O governador explicou que no Vale de Mexicali dois canais que servem para regar cerca de 60 mil hectares de cultivo foram danificados, mas apontou que a Comissão Nacional de Água (Conagua) já mobilizou maquinaria à área para resolver os problemas.

O terremoto, que teve epicentro 18 quilômetros a sudeste de Mexicali e a uma profundidade de 10 quilômetros, deixou pequenas inundações, problemas de abastecimento de combustível por falta de eletricidade nos postos e centenas de carros parados em estradas danificadas.

Também houve destruição na área de La Rumorosa e problemas na infraestrutura hospitalar. Alguns pacientes inclusive estão sendo atendidos ao ar livre ou em tendas.

Alguns serviços de telefonia estão suspensos, e soldados e médicos do Exército foram enviados para a área mais afetada.

O governador Osuna assinalou que ainda hoje pedirá ao Governo federal que declare Mexicali zona de desastre, para poder ter acesso aos recursos do Fundo de Desastres Naturais (Fonden).

O Serviço Sismológico Nacional do México (SSN) detalhou em boletim que o terremoto foi sobre o sistema de Falhas Cerro Prieto, um prolongamento da famosa Falha de San Andreas, na Califórnia. O tremor foi sentido sobretudo em Mexicali, Tijuana, e nas cidades americanas de Calexico, San Diego e Los Angeles.

A área atingida fica na fronteira das placas tectônicas do Pacífico (Baixa Califórnia) e da América do Norte (Sonora), e é local frequente de sismos fortes, como os registrados em 1915 (7 graus), 1934 e 1940 (7,1 em ambos), 1956 (6,7), 1979 (7), 1980 (6,1) e 1987 (6,5). EFE jdd/rr

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