Shilpi Singh. Nova Délhi, 19 dez (EFE).- A cidade indiana espiritual de Auroville completou 40 anos com cerca de 2 mil pessoas, imersas em um projeto universal de vida coletiva dedicado à unidade humana.

Projetada para abrigar 50 mil pessoas, a comunidade de Auroville pretende continuar crescendo a base de novas fazendas que produzam comida orgânica, herbários e o fomento de energias renováveis.

Localizada no litoral sudeste da Índia, perto da ex-colônia francesa de Pondicherry, Auroville é "o primeiro e único centro urbano dedicado à experimentação na unidade humana", comprometido com as "necessidades culturais, ambientais, sociais e espirituais da Humanidade do futuro", segundo um documento da organização.

Iluminada pelas idéias do filósofo indiano Aurobindo, sua companheira espiritual francesa, Mirra Alfassa, conhecida como "A Mãe", pegou o bastão do pequeno "ashram" (comuna) de Aurobindo e fundou a cidade de Auroville em 1968.

Segundo sua carta de fundação, cada habitante há de ser "servo sincero da Consciência Divina", sem que exista uma chamada para abraçar uma fé determinada.

"Auroville quer ser uma cidade universal onde homens e mulheres de todos os países sejam capazes de viver em paz e harmonia, acima de todo credo, política e nacionalidade", proclamou ela ao fundar Auroville.

Os 1.880 habitantes da cidade participam deste projeto coletivo administrado por um órgão, a Fundação Auroville, que tem o apoio do Governo indiano.

"Minha experiência vital foi riquíssima. A cada dia há uma nova aventura, algo para descobrir", explicou à Agência Efe por telefone Anandi, uma espanhola que vive em Auroville há 14 anos.

Ao chegar a Auroville, Dolores Bretón passou a chamar-se Anandi, que deriva da palavra "prazer" em hindu.

"Foi uma mudança de nome com a mudança de vida", lembrou.

Em consonância com as idéias de Aurobindo, em Auroville não se pratica nenhuma fé "nem se faz nenhuma cerimônia religiosa que envolva sacerdotes".

"Tudo se baseia no sentido espiritual, na existência de uma divindade que sustente tudo", disse Anandi, para detalhar que existe uma sala chamada "Nossa alma coletiva", destinada à meditação.

No entanto, a idéia principal de Auroville não era apenas criar um centro espiritual, mas uma cidade exemplar na qual cada cidadão contribuísse com a comunidade e permitisse sua viabilidade.

O plano da cidade, "baseado na forma de uma galáxia em espiral", tem quatro regiões onde se desenvolvem atividades industriais e culturais, segundo a Fundação Auroville, que dão trabalho para entre 4 mil e 5 mil pessoas e que geram US$ 2,5 milhões anuais para a economia local.

No centro de Auroville, meca para gente ávida por experiências espirituais, encontra-se uma estrutura enorme em forma de globo chamada Matrimandir ou "alma da cidade", rodeada de jardins para facilitar a meditação.

Sua infra-estrutura inclui escolas de educação primária gratuita, centros de saúde com remédios tradicionais, albergues para acolher turistas e lojas com produtos locais.

No entanto, às vezes não é fácil viver neste grande experimento de vida comunal.

As pessoas "têm que se adaptar a muitas coisas às quais não estão acostumadas. É preciso trabalhar muito. Em uma comunidade de apenas 2 mil pessoas é um pouco difícil conseguir fazer tudo", admitiu Anandi.

Auroville segue se esforçando para chegar aos 50 mil habitantes, algo difícil já que muitos jovens abandonam a cidade após seus estudos, embora muitos também permaneçam por lá.

"Apesar de ter passado tantos anos aqui, ainda me parece tão maravilhoso que não entendo como as pessoas não têm vontade de voltar", diz a espanhola, que pensa em ficar em Auroville "para sempre". EFE ss/ab/jp

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