Cidade do México quer aproveitar gripe para atrair turistas

México, 20 mai (EFE).- A Prefeitura da Cidade do México procura transformar as medidas de higiene contra a epidemia da gripe suína em um novo estímulo ao turismo para uma megalópole que tenta rapidamente recuperar sua imagem, após uma queda na ocupação hoteleira a 12%, contra uma média de 65%.

EFE |

Assim informou hoje o secretário de Turismo da capital, Alejandro Rojas, em entrevista à Agência Efe, em que assegurou que a cidade "é hoje mais limpa que antes, tem muitas mais condições de higiene", graças ao alerta de saúde decretado em 23 de abril passado.

"É um valor agregado para que o turista saiba que vai vir a um restaurante, a uma convenção, e que haverá medidas extremas de higiene", contou.

As medidas serão especialmente estritas nos postos de rua que oferecem os famosos tacos e outros pratos típicos mexicanos, onde existe maior probabilidade de problemas de higiene.

"Estamos obrigando todos os que tenham um posto ambulante que tenham também muitas exigências de higiene, usem luvas, máscaras cobrindo a boca e que os que lidem com dinheiro, não sejam os mesmos a tratar da comida", explicou.

A epidemia causada pelo vírus da gripe, que deixou até agora 74 mortos e 3.660 infectados no país, teve seu epicentro na capital mexicana, que tem uma população de nove milhões de habitantes, um número que sobe a 19 milhões caso se leve em conta a zona metropolitana.

Segundo Rojas, salvo o terremoto de 1985, que causou milhares de mortos, "não há na história recente do México um impacto tão forte de um fenômeno desta natureza".

"O golpe na economia da cidade foi brutal, demolidor", com danos estimados em US$ 150 milhões diários para os setores de comércio, turismo e serviços, com os quais estão ligados dois terços da economia local, admitiu.

Pela suspensão de atividades decretada durante vários dias para frear a propagação da gripe, 140 museus foram fechados, a ocupação hoteleira chegou a ficar em 5% e o número de visitantes desabou um dia para quatro mil.

Para atenuar a situação, a Prefeitura anunciou hoje a realização em 6 e 14 de junho próximos da Feira de Culturas Amigas, enquanto ontem lançou uma campanha promocional batizada com o slogan "Cidade do México: cheia de vida".

Apesar dos prejuízos ocasionados pela epidemia, Rojas ressaltou que o episódio "consolidou uma grande consciência turística na cidade" e permitiu à capital ficar conhecida para muitos potenciais visitantes estrangeiros.

"Agora milhões de pessoas sabem que existimos. Agora, porém, precisam saber também que somos uma cidade maravilhosa, mágica, misteriosa, cálida, com uma grande oferta cultural", afirmou.

Por isso, o secretário de Turismo acredita que "em seis meses a Cidade do México vai ter mais turistas que antes".

Apesar do nome, a gripe suína não apresenta risco de infecção por ingestão de carne de porco e derivados. EFE rac/rr

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