CICV pede ao Governo nepalês esclarecimento sobre desaparecidos

Katmandu, 28 ago (EFE).- O Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV) publicou hoje uma lista com os nomes de 1.

EFE |

227 pessoas desaparecidas durante a guerra no Nepal entre 1996 e 2006, e exigiu ao Executivo que esclareça o paradeiro delas.

Em comunicado divulgado em Katmandu, a chefe da delegação do CICV no Nepal, Mary Werntz, afirmou que é "imperativo" que as autoridades nepalesas "estabeleçam mecanismos para resolver os problemas legais que as famílias dos desaparecidos enfrentam", às quais o Governo deveria prestar ajuda.

Werntz explicou que a publicação dos nomes dos desaparecidos supõe um "reconhecimento público dos sofrimentos e das necessidades" de suas famílias.

Ela disse também que esta decisão pretende ser uma chamada ao Governo do Nepal para "esclarecer o destino dos que desapareceram durante o conflito e satisfazer às necessidades imediatas das famílias".

Werntz destacou que um dos maiores problemas é que os familiares não podem herdar as propriedades das vítimas, pois elas não foram declaradas mortas.

Bijan Farnoudi, membro do CICV no Nepal, explicou à Agência Efe que 9% dos desaparecidos durante a guerra que o Governo enfrentou com a guerrilha maoísta são mulheres, enquanto os demais são homens.

Durante o conflito, cerca de 13 mil pessoas morreram.

O CICV elaborou listas com o número de desaparecidos desde 1999, quando estimou em 812, segundo dados da organização.

O acordo de paz assinado em novembro de 2006 previa a criação de uma comissão de alto nível para saber o que aconteceu com os desaparecidos.

No entanto, ainda não existe uma lei em vigor no país que trate deste problema e a iniciativa legal que está sendo preparada não é retroativa, por isso que não os culpados pelas desaparições durante a guerra não poderão ser levados a tribunal.

O processo de paz iniciado há dois anos gerou a realização de eleições para a Assembléia Constituinte este ano, que levou ao poder a antiga guerrilha maoísta, liderada pelo recém nomeado primeiro-ministro, Pushpa Kamal Dahal, conhecido como "Prachanda".

EFE ms/ab/rr

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