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Ciclone Nargis deixa pelo menos 352 mortos e destruição ao sul de Mianmar

(Atualiza número de vítimas) Miguel F. Rovira Bangcoc, 4 mai (EFE).

EFE |

- Pelo menos 352 pessoas morreram e milhares de edifícios foram destruídos ou ficaram danificados após a passagem do ciclone tropical "Nargis" pela região do sul de Mianmar (antiga Birmânia), onde o Governo militar declarou estado de emergência.

O aumento de vítimas fatais foi divulgado depois que o Governo militar recebeu informação da descoberta de 109 mortos na pequena ilha de pescadores de Haing Gyi, situada em frente ao litoral do delta do rio Irrawaddy, a zona mais atingida pelo ciclone "Nargis".

Antes, a televisão estatal havia informado que 223 pessoas morreram na divisão de Ayeyawaddy, situada no delta do rio e cerca de 220 quilômetros ao sudoeste de Yangun, a antiga capital.

Os fortes ventos, de 190 a 240 km/h, causaram também danos a milhares de edifícios e corte do fornecimento de energia elétrica e telefone em todas as localidades do delta do rio Irrawaddy, de acordo com as autoridades.

O ciclone passou pela divisão de Ayeyawaddy durante a noite e madrugada da sexta-feira passada, antes de chegar a Yangun, onde cerca de 20 pessoas morreram, a maioria por causa do desabamento de casas, e da queda de árvores e de objetos dos edifícios.

As autoridades birmanesas declararam estado de emergência em Yangun, Pegu, Irrawaddy e os estados Mon e Karen.

As autoridades mobilizaram hoje o Exército nas zonas atingidas pelo ciclone para ajudar os desabrigados e consertar as avarias na infra-estrutura básica, e avaliar os danos.

Segundo as primeiras estimativas oficiais, "três em cada quatro edifícios de localidades situadas na região do delta do rio Irrawaddy foram danificados ou destruídos pelo ciclone".

Em Yangun, onde vivem cerca de cinco milhões de pessoas, vários edifícios pequenos e próximos à universidade desabaram parcialmente, e as ruas da cidade estavam quase desertas, com prejuízos em todas as partes, de acordo com as declarações de moradores.

Os fortes ventos arrastaram os telhados de centenas de casas, tombaram antenas e provocaram a queda de várias árvores das ruas de Yangun.

O aeroporto internacional de Yangun foi fechado no sábado ao tráfego aéreo por causa de uma avaria no sistema de sinalização, segundo funcionários do Departamento de Aviação Civil, que hoje tentavam resolver o problema.

"Por enquanto, não é permitida a decolagem nem a aterrissagem dos aviões, será preciso aguardar algumas horas", disse um funcionário do aeroporto à rádio "Mizzima".

Os aviões com destino a Yangun foram desviados para o aeroporto da cidade de Mandalay, cerca de 450 quilômetros ao norte.

Segundo a televisão estatal, quase metade dos edifícios das cidades e localidades do delta do rio Irrawaddy e do litoral da baía de Bengala ficou danificada ou desabou.

Pelo menos sete navios que estavam nos píeres de Yangun naufragaram por causa das ondas de quase 3,5 metros de altura, afirmou a imprensa estatal birmanesa.

Em muitas casas, as pessoas usavam geradores para atenuar a falta de energia elétrica. A companhia estatal de eletricidade anunciou pela televisão que levará várias semanas para restabelecer o serviço em Yangun.

Um helicóptero militar realizou de manhã vários vôos sobre o centro de Yangun para, segundo os habitantes, avaliar os danos causados pelo ciclone de categoria 3, que chegou ao sul do país por volta do meio-dia do sábado, e seguiu horas depois em direção ao noroeste da vizinha Tailândia.

Em Bangcoc, a capital tailandesa, a representação regional das Nações Unidas afirmou que os chefes de suas agências humanitárias farão na próxima segunda-feira uma reunião em Yangun com a Cruz Vermelha Internacional, para avaliar a situação em Mianmar após o ciclone e preparar um plano de ajuda.

O estado de emergência foi declarado uma semana antes da realização de um plebiscito, em 10 de maio, para aprovar o texto constitucional, redigido pela Junta Militar birmanesa e que não tem o apoio da oposição democrática.

As autoridades, que controlam todos os meios de comunicação do país, não informaram se a catástrofe afetará a realização do plebiscito nas zonas atingidas.

Na vizinha Tailândia, antes da entrada do "Nargis", o Governo declarou estado de alerta em 16 províncias do norte e do oeste do país, que podem ser afetadas por inundações e deslizamentos de terra.

Autoridades tailandesas disseram que, "até 5 de maio, ocorrerão intensas chuvas nas províncias do norte e do centro da Tailândia".

EFE mfr/an

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