Ciclone em Mianmar já fez 10.000 mortos

O número de vítimas do poderoso ciclone Nargis que devastou várias regiões de Mianmar (antiga Birmânia) tomou proporções dramáticas nesta segunda-feira, superando os 10.000 mortos, segundo o ministério birmanês das Relações Exteriores.

AFP |

As Nações Unidas afirmaram nesta segunda-feira que centenas de milhares de pessoas estão desabrigadas, e que as autoridades de Mianmar aceitaram uma eventual ajuda internacional. A informação foi confirmada pelo chanceler birmanês, Nyan Win.

"Mais de 10.000 pessoas foram mortas" pelo ciclone, e "este balanço ainda pode aumentar", declarou Nyan Win na noite desta segunda-feira (horário local) à rede de televisão estatal MRTV.

Mais cedo, a MRTV avisou que "pode haver dezenas de milhares de mortos na localidade de Bogalay, e outros milhares em Labutta" no delta de Irrawaddy (sudoeste), a primeira região atingida pelo ciclone, na noite de sexta-feira, com ventos oscilando entre 190 e 240 km/h.

O estado de emergência foi declarado em cinco grandes divisões administrativas (Yangun, Irrawaddy, Pegu e os estados Mon e Karen), mas a região mais atingida foi o delta de Irrawaddy.

Segundo Nyan Win, 57 barcos afundaram nesta região.

Várias aldeias do litoral foram devastadas, frisou um representante da Cruz Vermelha.

Milhares de casas foram destruídas, milhares de árvores arrancadas e centenas de estradas estão bloqueadas, impedindo a chegada dos socorristas.

"Nunca tinha visto nada igual em toda minha vida", disse à AFP um homem de 70 anos em Yangun.

Importantes canalizações foram cortadas na maior cidade de Mianmar, e muitoas pessoas fizeram fila com baldes durante horas para conseguir água com vizinhos proprietários de poços particulares.

Apesar dos danos consideráveis e da gravidade da situação humanitária, o jornal oficial New Light of Myanmar informou nesta segunda-feira que o regime manteve para o próximo sábado um referendo sobre a nova Constituição, que deve abrir o caminho para eleições multipartidárias em 2010.

"O referendo acontecerá dentro de alguns dias, e toda a população do país aguarda isso com impaciência", sustentou o jornal.

"Não queremos democracia, queremos água, agora", irritou-se um homem de 30 anos que sobreviveu à passagem do ciclone em Yangun.

Governado por juntas militares sucessivas desde 1962, Mianmar é um dos países mais pobres da Ásia.

O aumento repentino do balanço de vítimas interveio no momento em que os socorristas começavam a se organizar.

"Estamos distribuindo mantimentos aos desabrigados, assim como lonas de plástico para cobrir os tetos, tabletes de purificação de água, 5.000 litros de água potável, mosquiteiros, cobertores e roupas", enumerou Michael Annear, da Federação Internacional da Cruz Vermelha.

Ele admitiu que a mobilização foi lenta no início, devido a "problemas de mobilidade".

As principais agências da ONU e das organizações internacionais se reuniram nesta segunda-feira em Bangcoc para coordenar suas ações.

O Exército tailandês anunciou que encaminhará terça-feira medicamentos e alimentos a Mianmar.

A Índia também informou que dois navios carregados com barracas e cobertores partirão "imediatamente".

Um dirigente da ONU em Bangcoc, Richard HOrsey, declarou que centenas de milhares de pessoas "precisam de uma ajuda urgente".

Os Estados Unidos afirmaram terem desbloqueado fundos, principalmente através do Programa Mundial de Alimentos (PAM) da ONU, mas avisaram que farão de tudo para que o regime militar não se beneficie desta assistência.

A Comissão Européia desbloqueiou uma ajuda de emergência de dois milhões de euros.

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