Ciclone em Mianmar deixou quase 78.000 mortos e 56.000 desaparecidos

Quase 78.000 pessoas morreram e outras 56.000 estão desaparecidas desde a passagem do ciclone Nargis, que devastou em 3 de maio o sul de Mianmar, segundo um balanço oficial publicado nesta sexta-feira.

AFP |

No total, 77.738 pessoas morreram e 55.917 estão desaparecidas, o que representa um total de 133.655 pessoas, anunciou a televisão estatal.

O balanço anterior, estabelecido na quinta-feira, mencionava 43.318 mortos e 27.838 desaparecidos.

Segundo a TV, esta disparada do número de vítimas se explica pelo fato de que não havia como confirmar oficialmente o balanço devido às péssimas condições meteorológicas nas áreas mais afetadas pelo Nargis, o delta do rio Irrawaddy e a região de Yangun.

Diplomatas ocidentais e das Nações Unidas falavam há vários dias em mais de 100.000 mortos. O balanço poderia, inclusive, superar os 200.000, segundo o secretário de Estado britânico Douglas Alexander.

O tsunami de 26 de dezembro de 2006 na Ásia, a pior catástrofe natural da história recente, deixou cerca de 220.000 vítimas.

Este novo balanço foi publicado num momento em que o comissário europeu para o Desenvolvimento, Louis Michel, em visita em Yangun, anunciou que mais de 100 médicos de países vizinhos chegarão no sábado a Mianmar para ajudar as vítimas do ciclone.

"Terão os vistos e a permissão", disse Michel na Tailândia.

"As coisas estão seguindo neste sentido".

O ciclone deixou cerca de dois milhões de desabrigados, a maioria dos quais não recebeu qualquer assistência, lamentou a ONU.

As autoridades birmanesas vão levar de helicóptero sábado, pela primeira vez, diplomatas estrangeiros a algumas áreas do Delta do Irrawaddy.

Já Michel lamentou não ter sido autorizado a viajar a esta região, onde continuam caindo chuvas torrenciais, antes de sua partida, prevista para a noite desta sexta-feira.

"Fui autorizado a ir para lá sábado, mas infelizmente não posso ficar mais tempo aqui porque tenho compromissos na Europa", explicou à AFP.

Depois de seus encontros com dirigentes birmaneses, o comissário de Bruxelas não mencionou qualquer progresso na ajuda aos sobreviventes do ciclone.

Ele estava na antiga Birmânia para tentar persuadir o governo birmanês de parar de filtrar a ajuda estrangeira. Os pedidos de vistos para especialistas internacionais serão examinados pela junta, afirmou Michel.

Várias organizações humanitárias estão aguardando vistos para seus funcionários mas a junta, muito preocupada com sua soberania, se recusa a deixar que operações de assistência sejam comandadas por estrangeiros.

"As autoridades me pediram para dizer às associações humanitárias que se elas quiserem mais funcionários, precisam justificar o pedido", declarou Michel.

Na véspera, Louis Michel pediu a Mianmar, "ações concretas". Ele também avisou que "todos os estoques de arroz" do país estão destruídos.

O comissário relatou ter sido levado a "um campo bem organizado" nos arredores de Yangun.

Além disso, o país está agora sob a ameaça de epidemias, e 20% das crianças, entre os sobreviventes, estão com diarréia, segundo a ONU.

A Cruz Vermelha pediu 32,7 milhões de euros à comunidade internacional para ajudar as vítimas, advertindo que a crise humanitária vai piorar.

bur/yw/fp

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