Ciclo de consultas autônomas na Bolívia acaba amanhã com referendo em Tarija

Tarija (Bolívia), 21 jun (EFE).- A região boliviana de Tarija (sul), que concentra as maiores reservas de gás do país, vota amanhã, em meio a focos de tensão, no referendo autonomista que completa o ciclo de consultas já realizadas em Santa Cruz, Beni e Pando, departamentos (estados) governados por opositores.

EFE |

O referendo para aprovar o status de Tarija, para o qual se inscreveram 173.231 pessoas, é organizado pelo Governo regional e pela Corte Departamental Eleitoral (CDE), sem o reconhecimento do presidente Evo Morales, que considera ilegal a votação.

O governador de Tarija, o opositor Mario Cossio, convocou hoje a população a participar maciçamente do referendo, para, segundo ele, fazer "história, já que amanhã se fecha um ciclo de consultas, mas tem início o grande projeto autônomo da Bolívia".

No entanto, o governador não se atreveu a fazer previsões sobre os possíveis resultados do referendo.

Antes da região de Tarija, foram aprovados status similares nos departamentos de Santa Cruz (oriente), Beni (nordeste) e Pando (norte).

Porém, o Governo de Morales considerou inválidos os processos, ao argumentar que houve um elevado nível de abstenção.

Nesta sábado, Cossio recebeu o apoio de seus colegas de Santa Cruz, Rubén Costas; de Beni, Ernesto Suárez; e de Pando, Leopoldo Fernández, que chegaram a Tarija para acompanhar a votação.

Alguns analistas acham que, com uma vitória do "sim" em Tarija, o bloco autonomista e opositor a Morales pode ficar ainda mais forte em 29 de junho, quando os opositores esperam conquistar Chuquisaca na eleição do novo governador regional.

Os analistas falam, inclusive, da formação de uma federação autônoma em Sucre no dia 6 de agosto, dia da Independência boliviana, com o apoio de cinco dos nove departamentos do país, um plano que, no entanto, o governador regional Cossio negou em entrevista à Agência Efe.

A votação autonomista de Tarija também chama a atenção porque o departamento abriga 86% das reservas de gás do país - cerca de 40 trilhões de pés cúbicos -, que alimentam os mercados do Brasil e da Argentina e são a principal fonte de receita do Estado.

No entanto, Cossio disse à Efe que seu projeto de autonomia não prevê a apropriação total do controle sobre o gás, mas, sim, uma gestão compartilhada com o Estado e participação nos projetos para o desenvolvimento do setor.

O gás trouxe à Tarija, com meio milhão de habitantes, uma enorme receita, que este ano pode ficar entre US$ 240 a US$ 300 milhões.

Além disso, ajudou a reduzir a pobreza de 71% para 51% da população, embora, no campo, o problema ainda atinja 90% das pessoas.

Aparentemente, a votação na cidade de Tarija transcorrerá normalmente, enquanto na zona rural há três focos de tensão, dada a rejeição a decisões do governador Cossio e à consulta autônoma por parte de grupos camponeses leais a Morales.

Na localidade de Yacuiba, na fronteira com a Argentina, a tensão começou na noite de sábado, com um bloqueio na estrada que segue em direção ao departamento de Santa Cruz, o qual ameaça se estender à ponte internacional que faz a ligação com o país vizinho.

O bloqueio na cidade foi motivado pela insatisfação dos habitantes com o fato de Cossio não ter reconhecido um subprefeito eleito em uma votação há uma semana.

Ainda no mesmo povoado, aconteceu hoje um atentado com dinamite contra um canal de televisão que tem uma posição crítica em relação a Morales.

São acusadas pelo atentado 20 pessoas, entre elas um tenente do Exército.

As ameaças de bloqueio se concretizaram ainda na localidade de Rojo, também na fronteira com a Argentina e onde grupos de camponeses anunciaram que amanhã queimarão urnas e cédulas, da mesma forma que em Padcaya.

No entanto, o presidente da Corte Eleitoral departamental, Miguel Ángel Guzmán, se mostrou hoje confiante em que os incidentes não afetarão as votações nessas localidades. EFE ja/bm/sc

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