CIA usou centros de detenção clandestinos na Lituânia, diz relatório

Uma investigação na Lituânia revelou que a CIA (agência de inteligência dos Estados Unidos) usou pelo menos dois centros de detenção secretos no país depois dos atentados de 11 de setembro de 2001 em território americano. Uma comissão parlamentar especial da Lituânia concluiu ainda que voos organizados pela CIA para o país em 2005 e 2006 receberam permissão para pousar no país e podem ter transportado suspeitos de integrar a rede extremista al-Qaeda.

BBC Brasil |

Segundo o relatório da comissão, nenhum representante da Lituânia teve permissão para se aproximar do avião e foi sequer informado de quem estava à bordo.

Na Lituânia, pelo menos oito supostos extremistas foram mantidos em um centro no subúrbio da capital, Vilnius, disse o documento. As instalações eram uma antiga escola de hipismo e os suspeitos teriam sido mantidos lá entre 2004 e 2005.

Responsabilidade

Em agosto deste ano, os meios de comunicação americanos afirmaram que Lituânia, Polônia e Romênia abrigaram centros de interrogatório da CIA.

Mas o relatório parlamentar parece ter isentado os líderes políticos do país de responsabilidade por qualquer violação de direitos humanos que possa ter sido cometida pela CIA, disse o correspondente da BBC em Moscou, Rupert Wingfield-Hayes.

O relatório afirmou que nem o presidente sabia exatamente o que o serviço de inteligência dos Estados Unidos estava fazendo. Mas três funcionários do serviço de segurança serão investigados.

Alegações de uma prisão secreta da CIA no país báltico surgiram em meados deste ano em um documentário exibido na TV americana.

O suposto transporte secreto de possíveis extremistas para interrogatório em uma rede de instalações clandestinas americanas no exterior, sem a supervisão do Judiciário, vem sendo apontado como uma das práticas mais controvertidas do governo do presidente George W. Bush após os atentados de 11 de setembro de 2001.

O especialista da BBC em assuntos de defesa, Nick Childs, disse que críticos da gestão Bush viram nisto uma forma de evitar restrições legais e, em alguns casos, lançar mão de tortura - embora representantes americanos tenham negado tais alegações reiteradamente.

Vários governos estão sob pressão para revelar o que eles sabiam, diz Childs, e as táticas que os americanos podem ter usado continuam desconhecidas.

Até agora, apenas um caso foi a julgamento. Recentemente, um tribunal italiano condenou mais de 20 agentes americanos à revelia por envolvimento no sequestro de um clérigo muçulmano nas ruas de Milão em 2003.

O presidente Barack Obama anunciou logo no início de sua gestão que fecharia a rede de centros de detenção no exterior.

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