CIA simulou execuções e usou broca em interrogatórios, diz imprensa

Washington, 22 ago (EFE).- A CIA (agência central de inteligência americana) encenou várias execuções para forçar suspeitos de terrorismo a confessar crimes e utilizou uma pistola e uma broca elétrica durante o interrogatório de um membro da Al Qaeda, informa hoje a imprensa americana.

EFE |

Essas práticas constam num relatório que deve ser publicado na segunda-feira, depois que a American Civil Liberties Union (ACLU), o maior grupo de direitos civis dos EUA, entrou com um processo na Justiça exigindo a divulgação pública do documento.

A versão eletrônica da revista "Newsweek" foi a primeira a antecipar trechos do relatório, que também foi parcialmente reproduzido na edição impressa do jornal "The Washington Post".

Segundo o documento, a CIA usou uma pistola e uma broca elétrica durante o interrogatório de Abd al-Rahim al-Nashirio, suposto comandante da Al Qaeda capturado em 2002 e que permanece detido em Guantánamo.

Os agentes da CIA colocaram a broca na cabeça de Nashiri e a ligaram e desligaram várias vezes.

"O objetivo era assustá-lo para que desse informações", disse uma fonte à revista "Newsweek".

Nashiri, suposto cérebro do ataque contra o navio americano "USS Cole", que matou 17 soldados no Iêmen, em 1999, também foi um dos detidos da CIA submetidos à prática de asfixia simulada.

A agência de inteligência também recorreu a execuções simuladas após os atentados de 11 de setembro de 2001, o que vai contra a lei americana, que proíbe ameaças de "morte iminente" a pessoas mantidas sob custódia das autoridades.

O relatório diz que, numa dessas execuções fictícias, os agentes da CIA dispararam um tiro num quarto colado àquele em que um suspeito de terrorismo era interrogado.

O relatório divulgado foi feito em 2004 pelo inspetor geral da CIA e foi mantido em sigilo até agora. EFE tb/sc

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