CIA monitorou Bin Laden de outra casa em Abbottabad

De local secreto, espiões planejaram operação que matou líder da Al-Qaeda; documentos mostram planos para atacar trens nos EUA

iG São Paulo |

Em outra residência da cidade paquistanesa de Abbottabad , um pequeno grupo de espiões da Agência Central de Inteligência (CIA, na sigla em inglês) monitorou exaustivamente durante meses o ex-líder da Al-Qaeda Osama Bin Laden antes da operação que o matou no domingo, revelou na quinta-feira o jornal Washington Post.

Citando altos funcionários americanos, o jornal afirma que a CIA utilizou uma casa em Abbottabad, 50 km de Islamabad, para monitorar Bin Laden antes da operação dos " Seals " - a força especial da Marinha - que liquidou o líder terrorista.

AFP
Esconderijo onde estava Bin Laden, em Abbottabad, no Paquistão (02/05/2011)
A partir das observações realizadas pela agência americana de inteligência em Abbottabad foi possível estabelecer a "rotina" da residência de Bin Laden e planejar meticulosamente a operação.

O jornal, que cita uma fonte oficial que pediu anonimato, indica que a casa secreta da CIA foi utilizada como base de operações para uma das missões de inteligência "mais delicadas" da história recente da agência de espionagem.

O funcionário explicou que o grupo tinha uma rede de informantes paquistaneses e "outras fontes" que ajudaram a estabelecer um padrão dos costumes e das atividades diárias dos moradores do complexo no qual Bin Laden se escondia.

O trabalho de vigilância no terreno foi parte da informação de inteligência que levou os EUA a concentrar sua atenção no imóvel, que desde agosto foi rastreado de todas as formas possíveis, desde imagens via satélite até escutas para identificar as vozes no interior.

O esforço foi tão intenso e custoso que a CIA recorreu ao Congresso em dezembro para assegurar-se de que contaria com centenas de milhões de dólares no orçamento da agência para financiar a operação, indicou o funcionário.

A maioria do operacional de vigilância continuou em andamento até que Bin Laden foi assassinado no domingo em uma operação que contou com os comandos especiais americanos conhecidos como Navy Seals.

Segundo o funcionário, a casa oculta foi fechada desde então, em parte pela preocupação com as propriedades da CIA após a intervenção, mas também porque a agência dá o trabalho por concluído. "O trabalho da CIA era detectar e posicionar", disse a fonte, utilizando a terminologia empregada pelos membros das forças de operações especiais para identificar e localizar um alvo de alta prioridade.

"O trabalho de inteligência foi tão completo como tinha de ser e correspondia aos militares abaterem com o alvo", concluiu.

Plano de ataque

A rede terrorista Al-Qaeda planejava ataques contra trens nos Estados Unidos por ocasião do décimo aniversário dos atentados do 11 de Setembro, informou na quinta-feira o Departamento de Segurança Interna americano. Segundo o órgão, foi divulgado um boletim para as agências federais" e as polícias dos Estados e Condados "advertindo sobre possíveis planos da Al-Qaeda (...) para atacar o setor ferroviário americano", disse o porta-voz Matt Chandler.

"Em fevereiro de 2010, a Al-Qaeda planejava operações terroristas contra trens em regiões não especificadas dos Estados Unidos por ocasião do 10º aniversário do 11 de Setembro de 2001", afirmou Chandler.

Segundo o porta-voz, a informação provém do material capturado na operação de domingo que levou à morte do líder da Al-Qaeda. "Já havia um certo nível de planejamento, mas não havia informação sobre possíveis locais ou alvos específicos", destaca o boletim. A Al-Qaeda "tentaria tombar um trem por meio de sabotagem dos trilhos, fazendo-o despencar de uma ponte ou cair num vale".

O Departamento de Segurança Interna explicou que a Al-Qaeda já havia, inclusive, apurado informações sobre os novos sistemas de trens de carga nos Estados Unidos, nos quais as novas tecnologias tornam mais difícil fazê-los sair do trilho.

A Administração de Segurança do Tranporte (TSA, na sigla em inglês) fará um alerta formal às companhias ferroviárias em breve.

*Com EFE e AFP

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