CIA destruiu 92 vídeos de interrogatórios de supostos terroristas

Washington, 2 mar (EFE).- A CIA admitiu ter destruído 92 fitas de vídeo com gravações de interrogatórios a suspeitos de terrorismo, segundo documentos judiciais registrados na Corte do Distrito Sul de Nova York pelo promotor Lev Dassin.

EFE |

Em um documento de duas páginas divulgado hoje pela União Americana de Liberdades Civis (ACLU) -que exigiu em 2007, por via judicial, a publicação dessa informação pela CIA-, Dassin informa ao juiz federal Alvin Hellerstein que a Agência Central de Inteligência destruiu 92 fitas, quantidade muito superior à admitida antes.

Em comunicado, a ACLU assinalou que esta informação "confirma que a agência tratou sistematicamente de ocultar provas de seus interrogatórios ilegais".

Na carta, Dassin pede ao magistrado que lhe dê prazo até 6 de março para entregar à Corte propostas de agenda para publicar mais informação sobre as fitas.

O promotor prevê que o tribunal peça à CIA listas que identifiquem e descrevam cada uma das fitas destruídas, resumos, transcrições, memorandos das gravações e reconstruções dos conteúdos.

Além disso, ele pede que se revele a identidade de qualquer testemunha que possa ter visto ou guardado os vídeos antes de sua destruição.

No entanto, Dassin adverte à Corte que "certa informação" poderia ser classificada ou protegida por estatutos, como os nomes dos empregados que revisaram as fitas.

Apesar disso, afirmou que a CIA "pretende entregar toda a informação requerida" e divulgar toda a que lhe seja possível para o conhecimento do público em geral.

A controvérsia sobre as fitas aconteceu pela primeira vez durante o julgamento de Zacarias Moussaoui, acusado nos EUA de conspirar para cometer os atentados de 11 de setembro de 2001, quando os promotores negaram inicialmente sua existência, mas depois reconheceram que gravaram dois vídeos e um áudio de seus interrogatórios.

Em dezembro de 2007, o então diretor da CIA, Michael Hyden, reconheceu que a agência havia destruído fitas de vídeo de interrogatórios de 2002 a dois suspeitos de terrorismo, por medo de que fossem vazados à opinião pública e comprometessem a identidade dos agentes.

Em carta aos seus empregados, Hayden também disse que o órgão de supervisão interna da CIA viu as fitas em 2003 e verificou que as técnicas empregadas nos interrogatórios eram legais.

De acordo com a carta, a CIA começou a gravar os interrogatórios como um "teste interno" depois que o ex-presidente de EUA, George W.

Bush, autorizou métodos mais severos para conseguir informação de acusados de terrorismo.

Estes métodos incluíram o chamado "waterboarding" ou "afogamento simulado", apontaram autoridades governamentais.

A CIA decidiu destruir as fitas de vídeo em 2005, na "ausência de qualquer razão legal ou interna para guardá-las".

A agência de espionagem só gravou os interrogatórios dos dois primeiros terroristas detidos nesse preciso momento nos EUA, entre eles Abu Zubaydah.

Segundo disse então o jornal "New York Times", as fitas refletiam também os interrogatórios a Abd al-Rahim al-Nashiri, outro suspeito de terrorismo. EFE cai/jp

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