CIA: Conflito afegão tem sido "mais duro e lento que o previsto"

Diretor da agência de inteligência americana diz que EUA "avançam no país", mas luta é dura; ele também faz advertência sobre Irã

AFP |

Os Estados Unidos "avançam" no Afeganistão, mas a guerra, que completará nove anos em outubro, tem sido "mais dura e mais lenta que o previsto", afirmou neste domingo o diretor da CIA, Leon Panetta, que também alertou que o Irã teria capacidade para fabricar "duas armas nucleares" até 2012 .

A guerra no Afeganistão foi "uma luta muito dura. Estamos conseguindo avanços. Mas é mais dura e lenta que o previsto", disse o chefe da Agência Central de Inteligência (CIA), entrevistado ao vivo pela emissora americana ABC.

Quanto à ameaça que representa o programa nuclear do Irã, que é acusado de esconder fins bélicos sob um discurso de uso civil, Panetta disse que a República Islâmica poderá ter duas bombas atômicas em dois anos. "Achamos que o país tem urânio levemente enriquecido suficiente para duas armas (nucleares)", explicou.

Teerã precisaria de um ano para enriquecer esse urânio, de forma a produzir uma bomba, e levaria pelo menos "outro ano para desenvolver o sistema de lançamento da arma para torná-la viável", acrescentou o diretor da agência de inteligência americana.

Os EUA não descartaram a opção militar contra o Irã, assim como Israel, principal aliado de Washington na região. "Israel está muito preocupado com o que acontece no Irã", afirmou Panetta. "Continuamos compartilhando (informação de) inteligência sobre qual é a capacidade exata" do regime iraniano, acrescentou.

Por outro lado, o funcionário defendeu a estratégia do presidente Barack Obama, cuja decisão de enviar, desde dezembro, 30 mil militares adicionais e alcançar, em agosto deste ano, 150 mil homens no Afeganistão, enfrenta questionamentos.

Nomeado à frente da Central de Inteligência sob o governo Obama no ano passado, Panetta insistiu em que "a questão fundamental é se os afegãos aceitam a responsabilidade" do combate à insurgência assim que as forças estrangeiras deixarem seu país.

"Se puderem fazer isso, então acho que poderemos conseguir o tipo de progresso e de estabilidade que o presidente pretende", enfatizou, mostrando-se otimista sobre as possibilidades de finalmente encontrar o líder da rede terrorista Al-Qaeda, Osama bin Laden.

"Se mantivermos a pressão, acho que finalmente poderemos obrigá-lo a sair" de seu esconderijo nas regiões montanhosas da fronteira com o Paquistão e capturá-lo, disse.

No entanto, reconheceu que os serviços secretos americanos carecem de informações precisas sobre a sua localização desde que ele reivindicou os atentados de 11 de Setembro de 2001 contra Washington e Nova York, o que resultou na ocupação do Afeganistão, onde supostamente o líder terrorista se escondia.

Baixas no Afeganistão

Quatro soldados noruegueses morreram neste domingo no Afeganistão na explosão de uma bomba, noticiou a imprensa norueguesa citando fontes do Estado-maior do Exército do país escandinavo. Segundo o jornal Verdens Gang, que citou fontes anônimas independentes, os soldados teriam morrido na explosão de uma bomba quando seu comboio passava. Com esse ataque, são nove os soldados noruegueses mortos em operações no Afeganistão.

O mês de junho é o mais letal para as forças da Otan no Afeganistão em oito anos e meio de guerra . Nos últimos meses, uma média de três a quatro soldados da Otan morrem diariamente. A Noruega tem mobilizados 500 militares no país, principalmente na capital, Cabul, e no norte.

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