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Chuvas torrenciais castigam região devastada pelo ciclone Nargis em Mianmar

Fernando Mullor-Grifol Bangcoc, 16 mai (EFE).- Novas chuvas torrenciais caíram hoje na região devastada há duas semanas pelo ciclone Nargis em Mianmar, país no qual a Junta Militar admite um número cada vez maior de mortos e nega ter confiscado carregamentos de ajuda internacional.

EFE |

O Departamento de Meteorologia e Hidrologia de Mianmar anunciou hoje chuvas fortes para as regiões de Bago, Irrawaddy, Kayin, Mon e Yangun, exatamente as áreas nas quais foi declarado o estado de exceção em 3 de maio por causa do "Nargis".

As precipitações continuarão até amanhã, e a situação poderia ter ficado mais grave caso a frente chuvosa que entrou pelo sul tivesse ganhado força e se transformado em ciclone, como se temia na última quarta.

Para o esforço da comunidade internacional em levar ajuda aos desabrigados, o mau tempo não representa um inconveniente tão grande quanto a atitude das autoridades birmanesas de não conceder todos os vistos solicitados pela ONU e pelas organizações humanitárias.

A Junta Militar, que enfrenta sanções de Estados Unidos e União Européia (UE) por causa de suas violações sistemáticas dos direitos humanos, entrega os vistos aos poucos, mas se mostra mais aberta com China, Tailândia, Índia e outros Governos aliados da região.

Na manhã de hoje, enquanto o comissário europeu de Ajuda Humanitária e Cooperação, Louis Michel, e o diretor do Escritório de Cooperação de Assuntos Humanitários da ONU, John Holmes, entre outros, esperavam pelo visto de entrada no país, uma equipe da Unidade Médica Real da Tailândia saiu de Bangcoc e chegou a Yangun para atender as vítimas.

O secretário permanente do Ministério de Saúde Pública tailandês, Prat Boonyawongvirote, disse que a missão entrará na foz do rio Irrawaddy, a área mais devastada, e se transformará em uma unidade ambulante durante as duas semanas de duração de sua missão.

As autoridades birmanesas nunca ofereceram um número aproximado de pessoas sem-teto ou atingidas, mas anunciam com regularidade o de mortos, que segundo as últimas informações oficiais sobem para 43.318, além de 1.403 feridos e 27.838 desaparecidos.

A Federação Internacional da Cruz Vermelha calcula que as vítimas mortais chegarão a 130 mil, e a ONU estimou que 2,5 milhões de pessoas estão em estado de precariedade grave.

A ONG Care afirmou hoje que seu pessoal em Mianmar - cerca de 500 pessoas, a maioria birmanesas - está surpreso com as poucas crianças, mulheres e idosos que encontrou nos acampamentos de apoio e nas aldeias visitadas.

"Em um povoado havia 500 sobreviventes e todos eram adultos.

Nossos dados nos centros mostram vários destes, mas poucas crianças e idosos", declarou o diretor da Care para Mianmar, Brian Agland.

Apesar de a ajuda humanitária chegar ao país sem muitos problemas, principalmente desde o último fim de semana, o destino da solidariedade internacional não está garantido a partir do momento em que o Governo se empenha em controlar sua distribuição.

Voluntários e birmaneses denunciaram a presença de artigos com bandeiras de outros países ou com siglas das agências da ONU ou de outras nas lojas e mercados de Yangun e de outras localidades.

"Serão tomadas ações legais contra aqueles que se apropriarem, venderem, comprarem ou fizerem um uso ilícito da assistência", diz hoje uma mensagem no jornal estatal "A Nova Luz de Myanmar", o qual o regime militar costuma usar para divulgar suas mensagens.

A situação apresentada pela Junta Militar à imprensa omite problemas e fala de desabrigados atendidos, ajuda distribuída, estradas reabertas e eletricidade reinstalada.

"A resposta do regime ao desastre do ciclone 'Nargis' é conhecida como a pior reação a um desastre por qualquer Estado ou regime do mundo", afirmou hoje a ONG Comissão Asiática de Direitos Humanos.

"Seja qual for a necessidade enfrentada pela população atingida - escassez de água, de alimentos básicos ou de remédios -, pouco preocupa ao regime, pois o único desastre que ele pode admitir é a ameaça contra seu próprio poder", acrescentou. EFE fmg/ev/fal

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