Chuvas deixam pelo menos 115 mortos na Caxemira indiana

Chuva intensa precipitou uma enxurrada de água e barro sobre Leh

EFE |

Uma enxurrada de água deixou nesta sexta-feira pelo menos 115 mortos na cidade turística indiana de Leh e em seus arredores.

Uma chuva intensa que caiu por volta de meia-noite sobre a localidade de Choglamsar precipitou um corrente de água e barro sobre Leh, situada numa parte mais baixa, onde casas, prédios do governo, acampamentos militares e infraestruturas foram destroçados.

AP
Homem senta-se sobre escombros em área afetada por chuvas em Leh, na Caxemira indiana
"Até agora, foram encontrados 115 corpos. Pelo menos 340 pessoas ficaram feridas e estão recebendo cuidados (médicos) em hospitais de Leh", assegurou à agência "Ians" Farooq Ahmad, inspetor-geral da Polícia do Estado indiano da Caxemira, no qual fica a região turística de Ladakh.

"Em Leh, estima-se que possa haver quase mil vítimas entre mortos e feridos", disse à Agência Efe por telefone o oficial do distrito de Kargil (vizinho do de Leh), Mohammad Hussain.

Dezenas de pessoas e equipamentos de resgate eram utilizados já de manhã para escavar com ajuda de maquinaria pesada várias áreas cobertas pelo barro, segundo podia ser observado em imagens transmitidas pelo canal "NDTV".

A mais de 3 mil metros sobre o nível do mar, a região cultural de Ladakh, cuja capital é Leh, fica em um terreno montanhoso de difícil acesso e com conexões viárias em estado deficiente. Cerca de 6 mil soldados apoiados por helicópteros socorreram os quase 30 mil habitantes de Leh, cujo aeroporto ficou fechado ao tráfego durante horas, assim como a conexão por estrada, segundo uma fonte policial citada pela "Ians". A polícia levantou tendas de campanha em Choglamsar e em Leh para acolher 2 mil desabrigados e distribuir alimento.

O primeiro-ministro da Caxemira, Omar Abdullah, visitou nesta sexta-feira a região afetada, e o chefe do governo indiano, Manmohan Singh, prometeu cem mil rúpias (cerca de US$ 2.150) para as famílias das vítimas. O ministro de Saúde indiano, Ghulam Nabi Azad, disse que a "situação exata" só poderá ser conhecida a partir desta noite, quando pode começar a funcionar de novo a rede de telecomunicações. Segundo suas palavras, citadas por Ians, essa foi a pior tragédia na Caxemira "em centenas de anos".

A Caxemira é uma região histórica em disputa entre Índia e Paquistão, embora Leh seja um lugar habitualmente tranquilo onde os sinais de conflito pouco chegam. Nas últimas semanas, a cidade, de maioria budista, permaneceu alheia à agitação civil que vive o vizinho vale da Caxemira, de maioria muçulmana, onde dezenas de pessoas morreram em confrontos contra a polícia desde meados de junho.

Apesar da distância das principais vias de comunicação e seu entorno conflituoso, milhares de montanhistas, aventureiros e amantes do budismo visitam a cada ano Leh e seus arredores. A catástrofe aconteceu durante a alta temporada de turismo.

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