Chuva prejudica resgate de vítimas na China

Equipes de resgate na China estão enfrentando dificuldades para chegar às milhares de vítimas do terremoto de segunda-feira devido à forte chuva que atinge a região e ao bloqueio das estradas depois do tremor. Segundo a agência de notícias oficial chinesa Xinhua pelo menos 500 pessoas morreram no condado de Wenchuan, epicentro do terremoto.

BBC Brasil |

Na manhã desta quarta-feira mais de 800 policiais armados chegaram ao condado e iniciaram a operação de resgate.

O primeiro-ministro chinês Wen Jiabao prometeu que não serão poupados esforços para o resgate dos que estão presos nos escombros e para a busca de sobreviventes.

"Vamos salvar as pessoas", disse ele em Shifang.

Mas o premiê chinês reconheceu que as condições para o resgate são difíceis.

"A situação é pior do que o esperado e os locais de resgate são complexos", afirmou.

Pontes destruídas
O terremoto causou mais danos nas cidades próximas de Longxi e Yingxiu. No início da tarde de terça-feira cerca de 30 soldados chegaram a Yingxiu e resgataram 300 feridos.

Segundo o correspondente da BBC em Pequim, Quentin Sommerville, os soldados encontraram a maior parte das estradas e quase todas as pontes da cidade destruídas.

Dos 12 mil habitantes da cidade, apenas 3 mil teriam sobrevivido ao terremoto.

"Eles podiam ouvir as pessoas pedindo ajuda debaixo dos escombros, mas ninguém podia ajudar, pois não havia uma equipe profissional de resgate", disse He Biao, uma autoridade da cidade.

"Quando o tempo melhorar, o Exército vai começar a lançar (com aviões) carregamentos de alimentos e remédios na cidade", disse Li Shiming, comandante do Comando Militar da área de Chengdu, à agência Xinhua.

Estima-se que o número de mortos pelo terremoto, calculado até agora em mais de 12 mil pessoas, aumente à medida que as equipes entrarem nas zonas mais afetadas.

Mais soldados
De acordo com a Xinhua, o Ministério da Defesa informou mais cedo que quase 20 mil soldados e policiais chegaram às áreas atingidas pelo terremoto, na província de Sichuan, sudoeste da China.

Outros 30 mil soldados estão a caminho em aviões, trens, estradas e a pé. A Marinha também reuniu 2,5 mil soldados que poderão ser enviados às áreas atingidas a qualquer momento.

A Força Aérea chinesa enviou 18 helicópteros que já realizaram 28 missões para lançar 12,5 toneladas de alimentos e outros suprimentos em Mianyang, Mianzhu e Pengxian, segundo declarações de fontes militares à Xinhua.

Dois helicópteros com suprimentos sobrevoaram a cidade de Yingxiu e outros três aguardam as ordens para decolar.

Apesar dos esforços de resgate, muitos ainda estão soterrados. Somente em uma cidade, Mianyang, perto do epicentro, mais de 18 mil pessoas foram soterradas pelos escombros e 7.395 mortes foram confirmadas, segundo a agência de notícias oficial chinesa Xinhua.

As autoridades chinesas afirmam que mais de 3,5 milhões de casas foram destruídas pelo terremoto, que atingiu 7,9 pontos na escala Richter e teve seu epicentro no condado de Wenchuan, a cerca de 100 quilômetros da capital da província, Chengdu.

Ajuda
O terremoto de segunda-feira foi o pior a atingir a China nos últimos 30 anos. O tremor foi sentido até na capital, Pequim, e em países próximos, como a Tailândia.

O governo chinês disse que vai aceitar ajuda estrangeira. União Européia, Estados Unidos, Grã-Bretanha, Rússia, Japão, Coréia do Sul e Taiwan já ofereceram ajuda.

O terremoto afetou também o revezamento da tocha olímpica, que está percorrendo todas as províncias chinesas até chegar a Pequim para a abertura dos Jogos Olímpicos, no dia 8 de agosto.

Os organizadores dos Jogos de Pequim informaram que o trajeto da tocha será encurtado e que, no início da próxima etapa, previsto para quarta-feira, na cidade de Ruijin, haverá um minuto de silêncio em memória às vítimas do terremoto.

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