Eulàlia Blanchart. LAquila (Itália), 6 abr (EFE).- A chuva começou a dificultar os trabalhos de resgate na cidade italiana de LAquila para encontrar possíveis sobreviventes ao terremoto de 5,8 graus na escala Richter, que matou pelo menos 91 pessoas nesta madrugada, na região central do país.

Apesar do mau tempo, os serviços de emergência prosseguem com seus trabalhos, com base no centro histórico da cidade, já tendo instalado tendas de campanha em diferentes complexos esportivos que servem de abrigo aos desabrigados.

Segundo afirmou à Agência Efe um dos funcionários da Defesa Civil na região, Arturo Vernillo, quanto mais tempo passar, mais difícil será encontrar desaparecidos com vida.

O balanço oficial da catástrofe dá conta de 91 mortos, que podem aumentar à medida que passam as horas.

Além disso, a imprensa local já estima um número de mortos bem superior, que chegaria a 150.

Um dos prédios onde há trabalho de resgate é a Casa do Estudante, onde o desabamento de uma das fachadas laterais deixou várias pessoas presas.

Pela manhã, foram retirados um estudante morto e outro vivo e, segundo policiais, ainda restam outros cinco jovens sob os escombros.

Parentes e amigos se aglomeram em frente à residência estudantil para acompanhar os trabalhos de resgate e receber notícias em primeira mão. Muitos estão de pijama e pendurados nos telefones celulares para repassar informações a outros familiares.

Em outro edifício do centro, há pelo menos oito pessoas presas e, nesta manhã, foram encontradas duas mulheres de 21 e 29 anos, a última delas morta.

A imprensa também informa o encontro do corpo de uma mulher em sua cama abraçada a seus dois filhos. Os três aparentemente morreram esmagados em sua casa, na rua Campo di Fossa.

Por enquanto, fala-se em pelo menos 100 mil pessoas desabrigadas, sem permissão para retornar às suas casas, nem para recolher pertences nas próximas 48 horas.

Muitos dos desabrigados passaram a madrugada ao relento e só ao meio-dia encontraram refúgio nos ginásios poliesportivos que estão sendo usados como refúgio.

Os moradores de L'Aquila contam que os tremores começaram por volta das 22h30 locais de ontem (17h30 pelo horário de Brasília), embora a maioria tenha permanecido em suas casas até o abalo mais forte, registrado em torno das 3h30 de hoje (22h30 de ontem de Brasília).

Ele durou em torno de meio minuto e teve réplicas menores durante toda a manhã.

Simone De Meo, um dos desabrigados, contou à Efe que acordou às pressas o irmão, que estava dormindo, mandando que pusesse os sapatos e saísse para rua.

"Nesse momento, senti muito pânico", afirmou.

Outro desabrigado, Giuseppe Cesarano, lembrou que sentiu o tremor mais forte com pedaços das paredes de seu quarto, que se soltaram, e com o corte da corrente elétrica.

"Acordei e desci correndo para o jardim de casa".

Sua amiga Daniela Petito afirmou que nada dava a entender que o tremor da madrugada aumentaria até ficar tão forte, porque os dois anteriores haviam sido "bem suaves".

O terremoto desta madrugada foi percebido em grande parte do centro e do sul da Itália, da região de Emilia-Romagna e até Nápoles.

A imprensa estima entre 10 mil e 15 mil o número de edifícios atingidos pelo terremoto, entre eles prédios novos. EFE ebp/jp

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