A reação do judoca israelense, Arik Zeevi, que depois de ser derrotado, nesta quinta-feira, pelo brasileiro Luciano Correa, chorou longamente em frente das câmeras, gerou sentimentos de empatia e também de consternação em Israel.

Desde a derrota de Zeevi, que era a principal esperança de Israel ganhar uma medalha na Olimpíada, os maiores veículos de comunicação do país têm dado muito destaque ao choro do esportista.

Depois de ser derrotado pelo judoca brasileiro Luciano Correa, Arik Zeevi se fechou por uma hora e meia no vestiário e só depois, saiu para falar com os jornalistas.

De olhos vermelhos, Zeevi começou um monólogo, muitas vezes interrompido por soluços e lágrimas, que foi amplamente divulgado na mídia local e surpreendeu os israelenses, causando, em uns, reações de simpatia e em outros, desprezo e consternação.

"Pareço uma mulher grávida"

"Não sei o que aconteceu comigo", disse Zeevi, "mas não tinha a agressividade necessária para ganhar a luta, estava indiferente, apagado".

"Foi o pior desempenho da minha carreira e eu certamente não merecia ganhar uma medalha", afirmou.

"Não entendo o que está se passando comigo, pareço uma mulher grávida, já faz alguns dias que não consigo parar de chorar", disse o judoca número 1 de Israel e ganhador de uma medalha de bronze na Olimpíada de Atenas, em 2004.

Zeevi, de 31 anos, conhecido como um "homem forte" e um dos esportistas mais famosos do país, teve uma atitude "feminina" que desafiou a cultura "viril" que predomina em Israel, país onde a força é um valor bastante cultivado.

Reação popular

O choro de Zeevi provocou uma reação de torcedores em Israel.

Em um dos maiores sites de Israel, o Tapuz, a avaliação dos internautas mudou imediatamente após o choro do judoca.

Enquanto ainda tinha chances de ganhar uma medalha, a maioria dos internautas fazia elogios, do tipo "Arik, você é o campeão" e "Arik, rei de Israel".

Depois da derrota, os comentários mudaram radicalmente, passando para "Zeevi, você é um zero", "cavalo morto", "vá pra casa" e "inútil".

Nas ruas

O choro em público deixou Daniel, vendedor da banca de jornais da rua Alenby, em Tel Aviv, extremamente incomodado.

"Que choradeira é esta?", perguntou Daniel à BBC Brasil, "foi um erro mandá-lo para a Olimpíada, ele não merecia representar o país".

Já a judoca Yael Arad, que ganhou uma medalha olímpica de prata em Barcelona 1992, em artigo no site de notícias Ynet, expressou tristeza e empatia pelo colega derrotado.

"A pressão foi grande demais e Arik (Zeevi) desabou", afirma Arad, "um esportista do nível dele mereceria terminar a carreira com mais alegria."
"Mas não podemos esquecer de todos os sucessos anteriores de Arik e devemos dar-lhe o respeito que ele merece".

O analista de esportes, Ofer Shelach, do jornal Maariv, foi além da empatia e manifestou admiração por Zeevi.

"Arik Zeevi foi capaz de abrir suas feridas na frente de todos e descreveu, com as palavras mais sinceras, o que acontece com um esportista que se prepara durante quatro anos e de repente, na hora H, descobre que não tem a energia fundamental para ganhar".


"Zeevi conseguiu criar contato com seus próprios sentimentos, como poucos conseguem e eu o admiro agora mais ainda do que antes", concluiu o analista.

Depois da derrota do judoca e dos tenistas Andi Ram e Yoni Erlich, a última esperança de Israel de ganhar uma medalha nesta Olimpíada, se concentra no velejador Shahar Tzuberi.

Leia mais sobre judô

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.