Choques entre governo e oposição se espalham pelo Líbano

Tariq Saleh, de Beirute - A violência entre oposição e governistas se espalhou por vários pontos do Líbano na manhã desta quinta-feira, segundo informações das autoridades libanesas.

BBC Brasil |

Na capital, Beirute, mais ruas e avenidas foram bloqueadas por manifestantes, muitos usando máscaras e armados com fuzis.

Em Trípoli, a segunda maior cidade do país e reduto sunita aliado do governo, facções rivais entraram em confronto nas áreas perto do porto, na região de Mina.

As forças de segurança libanesas informaram que dezenas de homens armados do Hezbollah estão sendo posicionados nas ruas da capital Beirute. Franco-atiradores foram vistos tomando posição em telhados de prédios.

A tensão cresce no país, e confrontos armados entre governistas e oposição já acontecem em várias cidades no Vale do Bekaa, no leste do Líbano. Em um dos incidentes, uma pessoa morreu e outras seis ficaram feridas, segundo informações da imprensa local.

Bloqueios

Várias estradas foram bloqueadas tanto por oposicionistas quanto por governistas em várias cidades do interior. A rodovia que liga o Líbano à Síria foi interrompida com montes de terra pela oposição na manhã desta quinta-feira.

Tropas do Exército montaram vários pontos de checagem pelo país, na tentativa de evitar confrontos entre as duas partes.

Os acessos ao aeroporto foram completamente bloqueados pelo Hezbollah. Por conta disso, todos os vôos foram cancelados. Na quarta-feira, 32 vôos já haviam sido suspensos, com mais de 300 passageiros aguardando nas dependências do aeroporto.

Em nota na manhã desta quinta-feira, o governo anunciou que estuda declarar um estado de emergência e levar o caso à ONU e à Liga Árabe.

De acordo com a assessoria do governo, o primeiro-ministro Fouad Siniora telefonou, na noite de quarta-feira, para o Secretário-Geral da Liga Árabe, Amr Moussa, para informá-lo da delicada situação do país. Siniora também conversou com outros líderes árabes.

Escalada

A tensão cresceu depois que a oposição, liderada pelo Hezbollah, se incorporou a uma greve geral convocada por sindicatos trabalhistas para exigir melhores salários na manhã de quarta-feira.

Com o boicote à greve por outros sindicatos, a manifestação enveredou para a violência e tomou dimensões políticas, com a oposição exigindo a derrubada do governo do primeiro-ministro Siniora.

Em pelo menos quatro bairros de Beirute, governistas e oposição se enfrentaram com pedras e bastões, e logo com armas de fogo.

Milicianos do movimento xiita Amal, aliado do Hezbollah, trocaram tiros com membros do Partido Mustaqbal, do líder Saad Hariri, e do Partido Socialista Progressista, do druso Walid Jumblatt, ambos do movimento governista 14 de Março.

Ao mesmo tempo, várias estradas no país e ruas de Beirute foram bloqueadas com blocos de concreto, montes de terra ou carros, impedindo o tráfego de veículos.

Militantes também queimaram pneus em alguns pontos da capital e interior do país. A violência de ontem deixou pelo menos oito feridos.

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