Choques com manifestantes forçam Polícia a recuar de aeroporto na Tailândia

Gaspar Ruiz-Canela. Bangcoc, 29 nov (EFE) - Os manifestantes fizeram a Polícia recuar do principal aeroporto de Bangcoc após um enfrentamento, enquanto o Governo tailandês reiterava aos líderes dos protestos a intenção de pôr fim à ocupação do terminal aéreo através do diálogo, para evitar uma expulsão à força. Em meio ao clima de tensão, cerca de dois mil militantes da Aliança do Povo para a Democracia, que organiza o protesto, forçaram o recuo de 150 policiais que faziam controles do lado de fora do aeroporto internacional Suvarnabhumi, o principal do país. O terminal aéreo está ocupado desde quarta-feira, para forçar à renúncia do primeiro-ministro da Tailândia, Somchai Wongsawat. A Autoridade Aeroportuária da Tailândia destacou em nota que Suvarnabhumi, por onde passam diariamente 150 mil viajantes, permanecerá fechado pelo menos até segunda-feira. De acordo com versões de testemunhas, os manifestantes, munidos de barras de ferro e tacos de golfe, retiveram um policial e agrediram outros em um controle de segurança. No antigo aeroporto de Don Muang, 30 quilômetros ao norte de Bangcoc e também em poder da Aliança do Povo para a Democracia, um grupo de manifestantes quase linchou uma sargento da Polícia que foi capturada quando tentou se infiltrar na concentração, informou a televisão local. Vamos dar um segundo aviso aos manifestantes para deixarem os dois aeroportos. A linguagem do aviso será mais dura que a usada na primeira vez, explico...

EFE |

O porta-voz disse que serão feitos três avisos, e, se o último não surtir efeito, as forças de segurança empreenderão a operação de despejo nos dois aeroportos.

Em uma tentativa de impedir que mais tailandeses se unam ao protesto em Suvarnabhumi, a Polícia montou controles de segurança a dois quilômetros de distância do aeroporto.

No local, milhares de pessoas acampam com televisões portáteis, aparelhos de som, cadeiras e cobertores estendidos sobre o chão, enquanto voluntários da Aliança do Povo para a Democracia distribuem comida.

Wongsawat, que instalou provisoriamente a sede do Governo em Chiang Mai, 600 quilômetros ao norte de Bangcoc e reduto do Partido do Poder do Povo (PPP), declarou na quinta-feira estado de exceção em Suvarnabhumi e Don Muang.

O primeiro-ministro, que também dirige o Ministério da Defesa, mostrou-se disposto mais uma vez a conversar com os líderes da Aliança do Povo para a Democracia sobre uma saída para a crise que não inclua a renúncia do Governo e a dissolução do Parlamento.

No entanto, também em discurso emitido pela rádio estatal, Wongsawat pediu que a população não apóie o grupo opositor, a cujos partidários chamou de "delinqüentes".

Chamlong Srimuang, um dos líderes da Aliança do Povo para a Democracia, anunciou que o protesto nos aeroportos acabará até 5 de dezembro, dia do aniversário do rei da Tailândia, Bhumibol Adulyadej.

Srimuang, ex-governador de Bangcoc e general reformado do Exército, expressou disposição de conversar com o primeiro-ministro, mas não em Chiang Mai, porque fica muito longe, explicou.

Na sexta-feira, as autoridades começaram a negociar com a Aliança do Povo para a Democracia uma solução pacífica antes de recorrer à força, enquanto os líderes dos protestos ameaçaram realizar uma revolta popular se as forças de segurança tentarem desocupar os terminais aéreos.

Desde o fechamento dos dois aeroportos, mais de 100 mil passageiros perderam seus vôos de Bangcoc com destinos internacionais e domésticos.

Esse número deve se aproximar de 300 mil nas próximas 48 horas, segundo o ministro do Turismo tailandês, Weerasak Kowsurat.

Enquanto isso, a União Européia (UE) solicitou que a Aliança do Povo para a Democracia "desaloje os aeroportos de maneira pacífica e sem demora para evitar uma crise ainda maior e suas conseqüências econômicas".

"Estão prejudicando seriamente a imagem internacional da Tailândia", destacou a nota dos embaixadores da UE, que afirmam que, acima de todas as coisas, respeitam o direito de manifestação do povo tailandês e não pretendem, em nenhum momento, interferir no debate interno na Tailândia.

Também hoje, ao menos 16 pessoas ficaram feridas na explosão de uma granada de mão em um movimentado mercado de mantimentos de Bangcoc, anunciou a Polícia metropolitana tailandesa.

A explosão ocorreu em uma das ruas laterais do mercado de Klong Tey, o maior da capital e próximo ao porto, quando um grupo de comerciantes protestava contra a alta do aluguel dos pontos de venda.

Fontes da Polícia de Klong Tey atribuíram o ataque a um acerto de contas e descartaram qualquer relação com os protestos realizados pelos partidários da Aliança do Povo para a Democracia.

A Tailândia atravessa uma profunda crise política desde as eleições de 2007, vencidas pelos aliados do ex-primeiro-ministro Thaksin Shinawatra, deposto há dois anos e que, em carta dirigida à imprensa, advertiu de que um novo golpe de Estado militar acarretará no derramamento de sangue. EFE grc/wr/db

    Leia tudo sobre: iG

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG