Chineses voltam a protestar contra França por causa do Tibete

Pequim, 1 mai (EFE) - Apesar das recentes tentativas de Paris de aplacar os ânimos chineses, centenas de cidadãos da China voltaram hoje a fazer manifestações contra a França e alguns países ocidentais que apóiam a causa tibetana.

EFE |

Pela primeira vez em anos, cidadãos chineses aproveitaram o feriado do Dia do Trabalho para fazer manifestações, porém, em vez de pedir melhoras trabalhistas, decidiram protestar contra os interesses franceses, apoiando os Jogos Olímpicos e exaltando o nacionalismo.

Mais de mil chineses, com bandeiras do país e muitos deles pedindo o boicote a empresas francesas, protestaram junto aos supermercados da rede Carrefour em pelo menos cinco cidades chinesas, entre elas Pequim.

Os atos se estenderam também às cidades de Changsha e Chongqing, a sudeste de Fuzhou e a nordeste de Shenyang, muitos deles convocados há várias semanas através de fóruns de sites chineses.

Os protestos, pelos quais pelo menos duas pessoas foram detidas em Pequim, se sucedem aos realizados há dois fins-de-semana também nos supermercados Carrefour de todo o país.

Em Pequim, os protestos aconteceram perto de duas lojas da rede de supermercados nas proximidades do estádio onde ocorrerão as provas olímpicas de vôlei, no nordeste da cidade.

Durante as manifestações, pequenos grupos de jovens proferiram frases como "boicote ao Carrefour" e "abaixo a 'CNN'", recebendo o apoio de alguns passantes até que a Polícia ordenou o fim dos atos.

Na cidade de Changsha, segundo a agência estatal "Xinhua", centenas de manifestantes se concentraram no supermercado com cartazes com as frases "Oposição à independência do Tibete", "Amor à China" e "União é poder".

Os opositores fizeram piquetes na frente das lojas da rede de supermercados, tentando impedir os compradores de entrar.

Em Fuzhou, cerca de 400 pessoas se concentraram na praça próxima a um Carrefour para "discutir formas de protesto", vigiados por 40 policiais.

A recente visita de dois emissários do presidente francês, Nicolas Sarkozy, à China, depois da primeira onda de protestos contra interesses franceses, não foi suficiente para aplacar os ânimos de alguns cidadãos chineses contra o Carrefour, o qual acusam de apoiar movimentos independentistas chineses.

O Carrefour, assim como um dos acionistas do grupo, o LVMH (Louis Vuitton Moët Hennessy), negam qualquer vínculo com estas organizações e demonstraram seu apoio aos Jogos Olímpicos de Pequim, assim como fizeram outras empresas francesas, como a Peugeot Citroën, também ameaçada com boicotes.

Após as manifestações dos dias 19 e 20 de abril nas lojas Carrefour da China, protagonizadas por milhares de cidadãos em várias cidades e nas quais chegaram a queimar bandeiras francesas, o Governo chinês pediu aos cidadãos que moderassem os atos e não ameaçou iniciar qualquer boicote.

No entanto, os porta-vozes do Ministério de Assuntos Exteriores chineses não condenaram os protestos.

Além disso, eles chegaram a qualificar de "normal" que os cidadãos chineses tenham expressado seu descontentamento pelo que consideram uma campanha de setores ocidentais contra os Jogos Olímpicos de Pequim e a integridade territorial do país.

A França, junto com veículos de comunicação como a cadeia americana "CNN" e a britânica "BBC", se transformou no principal alvo dos protestos chineses.

Boa parte dos motivos reside na ameaça de Sarkozy de boicotar a cerimônia de abertura de Pequim 2008 e também pelos incidentes registrados durante a passagem da tocha olímpica por Paris, no início de abril.

Enquanto isso, circula pela internet chinesa a foto de um táxi da província de Shandong (leste) que colou na parte da frente um adesivo dizendo "proibida a entrada de franceses e cachorros".

A frase é uma espécie de resposta aos adesivos supostamente colados em alguns táxis que proibiam, no começo do século XX em Xangai e em outras regiões coloniais, o acesso de "cachorros e chineses".

Estes adesivos, cuja existência não foi comprovada, permanecem no imaginário coletivo chinês como um símbolo do imperialismo ocidental.

O ex-primeiro-ministro francês Jean-Pierre Raffarin e o presidente do Senado, Christian Poncelet, viajaram para Pequim em abril para tentar diminuir as tensões entre França e China.

No entanto, o presidente da China, Hu Jintao, ressaltou que incidentes como os da passagem da tocha olímpica por Paris "feriram os sentimentos dos chineses". EFE abc/rr/db

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