Chineses usam karaokê como meio de expressar sentimentos

Marta Miera. Pequim, 23 mai (EFE).- Muito populares na China, os karaokês não servem apenas para divertir; para muitos chineses, é uma forma de libertar a tensão semanal e dizer te amo por meio de canções, mesmo que seja no anonimato de uma sala individual, em uma sociedade onde a expressão dos sentimentos causa incômodo.

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"Na China, as pessoas não podem expressar suas emoções diretamente. Mesmo após um longo período junto com uma pessoa, é difícil dizer que a ama; por isso, o karaokê nos ajuda a expressar indiretamente o que sentimos", explica à Agência Efe Chen Guolong, um jovem de 30 anos que trabalha em uma companhia telefônica.

Apesar do desejo de ocidentalização de muitos jovens chineses, em relação à música, eles se mostram grandes amantes do pop produzido em Hong Kong, Taiwan, Coreia do Sul e Japão.

"A maioria das músicas que costumamos cantar nos karaokês são do pop chinês. Raramente cantamos canções ocidentais, e os adultos quase sempre preferem os hits clássicos das décadas de 70 e 80", explica Chen.

Uma pesquisa publicada recentemente na imprensa chinesa mostra que são muitos os cidadãos do país que se mostram "envergonhados" no momento de expressar seus sentimentos.

O estudo realizado pelo site www.zhaopin.com explica que, "apesar da importância da figura da mãe na sociedade chinesa, a maioria das pessoas se sente 'incômoda' ao expressá-la o que sentem por ela".

Hu Shoujun, sociólogo da Universidade de Fudan em Xangai, associa este comportamento ao fato de que "a personalidade dos chineses é geralmente calma, reservada e séria. Para nós, é desnecessário e inclusive estranho demonstrar os sentimentos a parentes e amigos".

Seja por amor, diversão ou estresse, os karaokês, como no resto da Ásia, são um fenômeno social na China e nem a vida noturna das grandes cidades, com discotecas cheias durante os finais de semana até altas horas da madrugada, podem competir com este meio de entretenimento de origem japonesa.

Localizados em gigantescos edifícios, muitos deles inclusive dotados de escadas rolantes, os karaokês chineses oferecem aos clientes quartos individuais para que, na intimidade, possam desfrutar do som de suas vozes sem incomodar ninguém.

E para cantar sem pudores, nada melhor do que ter uma longa lista de bebidas à mão até que o corpo - ou o bolso - aguente.

Além deste entretenimento com licença legal, também está disseminado na China o karaokê ilegal, que oferece aos homens a possibilidade de desfrutar dos encantos das chamadas "damas de companhia".

Aparentemente, elas são uma espécie de versão chinesa das gueixas japonesas, que jantam e dançam com os clientes.

A profunda mudança de valores que a China experimenta devido a seu vertiginoso crescimento econômico é comumente relacionada ao aumento da infidelidade em muitas cidades, onde se espalham de forma clandestina bordéis, casas de massagem e, certamente, os karaokês ilegais. EFE mmp/bba

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