Chineses transferidos de Guantánamo para Bermudas negam ligação com Al Qaeda

Castries, 16 jun (EFE).- Os quatro chineses muçulmanos de etnia uigur, que foram acolhidos na semana passada pelas Ilhas Bermudas, disseram nesta segunda-feira que nunca tinham ouvido falar na rede terrorista islâmica Al Qaeda, até seu confinamento na prisão de Guantánamo, em Cuba.

EFE |

Em declarações concedidas na segunda-feira à imprensa local da ilha, os chineses disseram que eles nunca tinham visto fotografias dos ataques terroristas de 11 de setembro, nos Estados Unidos, onde dois aviões foram lançados contras as torres do Trade World Center, em Nova York, e outro contra o edifício do Pentágono, em Washington.

Os quatro homens -Abdulla Abdulqadir, Salahidin Abdulahad, Ablikim Turahun e Khalil Mamute- rejeitaram os ataques contra os EUA, que causaram aproximadamente 3 mil mortes, e agradeceram a oportunidade de começar uma nova vida nas Bermudas.

"Bermudas teve a coragem de dar um passo adiante. É um lugar pequeno, mas o povo tem um coração muito grande (...), agora queremos viver em paz aqui e trabalhar duro", disse Abdulahad.

O muçulmano assegurou que eles não tiveram nada a ver com os ataques de 11 de setembro e mandou "condolências para as famílias dos que perderam suas vidas".

Mas a decisão de aceitar os chineses muçulmanos pelo Governo de Bermudas, que é território britânico, criou algumas tensões entre Washington e Londres.

A transferência dos quatro presos de Guantánamo foi anunciada na quinta-feira pelo primeiro-ministro das Bermudas, Ewart Brown, sem a permissão explícita de Richard Gozney, governador da ilha caribenha.

O líder afirmou que estava confiante que seu Governo tinha tomado a decisão correta, de uma "perspectiva humanitária".

Os quatro chineses transferidos para as Bermudas são membros de um grupo minoritário muçulmano de idioma turco e fazem parte dos 17 uigures presos em Guantánamo, que a China pede extradição.

O Reino Unido trabalha com o Governo de Bermudas para avaliar o assunto e suas implicações.

Os quatro homens disseram que tiveram que fugir de sua terra até a fronteira com o Afeganistão para escapar das perseguições contínuas das autoridades chinesas.

Negaram, além disso, suas participações em treinamentos militares ou terroristas. "É uma falsa acusação", assegurou Abdulahad, de 32 anos, através de uma intérprete.

Brown disse na semana passada que ofereceria aos chineses a oportunidade de tornarem cidadãos de Bermudas e obterem um emprego.

As acusações contra grupo de uigures foram tirada pelo Tribunal Federal americano, mas os muçulmanos continuaram em Guantánamo, com medo de serem mortos se retornarem à China.

O Governo americano determinou que os 17 chineses muçulmanos não eram "combatentes inimigos" e deveriam ser libertados.

Os quatro uigures explicaram que seu país foi dominado pela China, em 1949 e que sua comunidade foi oprimida por décadas.

Quando as tropas americanas começaram a bombardear o Afeganistão, em 2001, eles tiveram que escapar para o Paquistão, onde foram enganados por um membro de uma tribo, que os entregou aos militares dos EUA em troca de dinheiro. EFE es/pd

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