O Banco de Desenvolvimento da China, BNC, mostrou interesse em participar dos projetos de investimentos na área de energia e logística do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) e colocou linhas de crédito à disposição do Brasil. As oportunidades de investimento foram apresentadas aos chineses pela sub-chefe da Casa Civil, Miriam Belchior, e pelo secretário do Comércio Exterior, Welber Barral, durante a missão do Ministério do Desenvolvimento e Comércio Exterior, MDIC, que está nesta sexta-feira em Pequim.

"O Banco de Desenvolvimento da China vai financiar vários projetos e colocou a nossa disposição todas as linhas existentes", afirmou Barral em entrevista à BBC Brasil.

Ele não precisou o total ofertado pelas linhas de crédito do BNC, nem exatamente quais projetos seriam imediatamente beneficiados, mas revelou que a diretoria do banco "mostrou muito interesse na área de energia e logística".

"Nós consideramos o investimento chinês extremamente importante. O Brasil é um país que precisa de capital para investimento, principalmente em projetos de retorno de longo prazo. O Brasil não tem uma grande poupança para investimento", disse ele.

Os projetos de logística e energia apresentados ao BNC incluem a participação em leilões de concessões e de obras de estradas, ferrovias, dragagem em 13 portos, usinas energéticas e redes de transmissão.

Rodovias
As concessões rodoviárias são válidas por 25 anos de exploração em rotas que ligam o sudeste com o nordeste num total de 7.297 quilômetros.

Os investimentos nessas concessões somariam mais de US$6,4 bilhões (R$10 bi).

Trechos importantes como a BR040, que conecta Brasília ao Rio de Janeiro e Belo Horizonte fazem parte da proposta.

Investimentos em mais de 7,8 mil quilômetros de ferrovias também foram apresentados.

Foram postos à apreciação dos chineses os projetos do trem de alta velocidade, TAV, que liga o Rio a Campinas, de US$11 bilhões (R$17 bi), a ferrovia norte-sul, de R$ 4,6 bilhões (R$7,4 bi) e a ferrovia de integração leste-oeste, estimada em US$2,8 bilhões (R$4,5 bi)
Além disso, o BDC também avaliou o corredor ferroviário bioceânico, que atravessa os territórios do Brasil, Paraguai, Argentina e Chile conectando os portos de Santos e Paranaguá à cidade de Antofagasta, no Chile.

A ferrovia, de 2.469 quilômetros, tem por objetivo escoar a produção da América do Sul à Ásia e pode ser estratégica para a China distribuir na região produtos trazidos do oriente através do oceano Pacífico.

Energia
Os leilões de 29 hidroelétricas ofertados aos chineses somam um investimento de 17,3 bilhões de dólares (R$27,8 bi) até 2011.

Neste ano serão feitas licitações para concessão de sete usinas, num investimento total de um bilhão de dólares. No ano que vem, está previsto o leilão de quatro usinas somando US$ 4,7 bilhões (R$7,5 bi).

Em 2010, quinze usinas irão ao martelo levantando investimentos de US$ 8,7 bilhões (R$14 bi) e em 2011 serão três usinas e US$ 2,9 bilhões (R$4,6 bi).

Uma das hidroelétricas leiloadas no ano que vem é a de Belo Monte, no rio Xingu, que causou polêmica na região por causa do impacto ambiental.

A capacidade estimada da usina é de 11,1 Megawatts e o investimento necessário é de US$ 6,9 bilhões (R$11 bi).

O BNC ainda foi convidado a avaliar a possibilidade de investir na construção, operação e manutenção de redes de transmissão e distribuição de energia.

As linhas somadas chegam a mais de 11,378 quilômetros e levantariam investimentos de US$ 7,2 bilhões (R$11,5 bilhões).

Financiamento
Barral ressaltou ainda que o BNC "já está financiando projetos do PAC no Brasil."
Um deles é o gasoduto Gasene de 946 quilômetros, que liga o Sudeste e o Nordeste através das cidades de Cacimbas, no Espírito Santo, e Catu, na Bahia.

O duto permitirá o transporte de até 20 milhões de metros cúbicos de gás por dia para o Nordeste - quase o dobro do total consumido atualmente pela região.

O banco chinês já disponibilizou US$ 750 milhões (R$1,2 bi) de um financiamento total que deverá ser de aproximadamente US$ 2,6 bilhões (R$ 4 bi).

A obra está sendo construída pela gigante chinesa do petróleo, Sinopec. O gasoduto é um projeto anterior ao PAC, mas foi incluído na estratégia de aceleração de crescimento.

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