Chineses fazem 3 minutos de silêncio por vítimas de terremoto

Por Lucy Hornby PINGTONG, China (Reuters) - De cidades tomadas por tendas na província de Sichuan até a Praça da Paz Celestial em Pequim, sirenes tocaram e milhões de chineses lembraram por três minutos a morte de dezenas de milhares de pessoas no terremoto da semana passada.

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O momento de luto foi feito por todo o país de 1,3 bilhão de habitantes, às 14h28 (horário local), exatamente uma semana depois do terremoto de magnitude 7,9 atingir a província de Sichuan, no sudoeste do país.

O número de mortos pelo terremoto subiu para mais de 34 mil na segunda-feira. Só na província de Sichuan, os prejuízos foram de cerca de 67 bilhões de iuanes (9,6 bilhões de dólares).

Cerca de 220 mil pessoas ficaram feridas no desastre, o pior no país desde 1976, e as autoridades acreditam que mais 9.500 pessoas ainda estejam soterradas nos escombros em Sichuan. A maioria delas deve estar morta, mas algumas ainda estão sendo resgatadas com vida.

'Acho que os três minutos foram importantes porque significam que todo mundo, do governo central a cada um dos indivíduos, está pensando em nós. Porque isso é pior que uma guerra', disse He Ling, policial da cidade de Pingtong, que foi quase totalmente destruída pelo terremoto.

Enquanto as equipes de resgate terminavam seu trabalho e as buzinas de carros soavam, outro tremor atingiu a área e ocasionou um pequeno deslizamento de terra em um desfiladeiro vizinho.

O Exército e os médicos se juntaram aos cidadãos de cabeça baixa e uma enorme bandeira chinesa tremulava entre uma grande pilha de entulho.

Em Beichuan, outra cidade devastada pelo terremoto, centenas de trabalhadores do resgate abaixaram as cabeças e depositaram coroas de flores retiradas das árvores da região e pedaços de papel retirados dos escombros.

'Todos estamos muito emocionados. Tantas pessoas não foram salvas', disse um soldado, entre as ruínas de uma escola.

Em Pequim, os maiores líderes do país, liderados pelo presidente Hu Jintao, usaram flores brancas na lapela e permaneceram em silêncio.

Perto dali, na praça da Paz Celestial --onde estudantes que se manifestaram pela democracia foram duramente reprimidos pelo Exército, em 1989-- o clima sombrio logo se transformou em uma demonstração sonora de patriotismo. Cerca de mil pessoas empunhavam bandeiras chinesas e marchavam pela praça, cantando 'Vai, China, vai' e 'Reconstruam Sichuan', além de cantarem o hino nacional.

Apesar das más condições, as buscas continuam, já que as famílias se recusam a desistir de acreditar que seus parentes ainda estejam vivos. O mau tempo e centenas de tremores secundários atrapalham as buscas.

(Reportagem adicional de Chris Buckley, em Beichuan e Benjamin Kang Lim e Ian Ransom, em Pequim)

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