Chinês que esfaqueou e matou policiais é executado

Um chinês condenado à morte por ter assassinado seis policiais em Xangai foi executado na manhã desta quarta-feira, informou a agência de notícias estatal Xinhua.

BBC Brasil |

O jovem Yang Jia, de 28 anos, natural de Pequim, foi preso em flagrante em julho, depois de invadir uma delegacia em Xangai e esfaquear os policiais, em um crime que ganhou grande cobertura da imprensa no país.

Yang colocou bombas de gasolina na delegacia para criar alvoroço e atacou os oficiais com uma faca em meio à confusão. Ele matou seis pessoas e feriu outras quatro.

No tribunal, Yang disse que atacou os oficiais porque foi torturado por eles durante um interrogatório relacionado ao roubo de uma bicicleta.

Herói

O caso de Yang causou polêmica e dividiu a opinião pública no país.

Diversos internautas manifestaram simpatia pelo jovem em fóruns online e criticaram a forma como a polícia chinesa comumente abusa de poder.


Reprodução mostra Yang Jia escoltado por policiais em outubro de 2008 / AP

A censura do governo apagou os comentários mais agressivos de alguns fóruns, mas, ainda assim, a imprensa internacional conseguiu publicar notas nas quais alguns cidadãos chamavam Yang de "herói".

A defesa do acusado tentou argumentar que o crime foi causado porque Yang sofreu "danos psicológicos" enquanto esteve nas mãos da polícia, mas o tribunal rejeitou o apelo.

A polícia nega que tenha torturado Yang ou abusado de poder ao lidar com ele.Yang foi condenado no primeiro julgamento, em setembro, e o caso prosseguiu até a Corte Suprema.

Muitos manifestantes chegaram a se reunir do lado de fora do tribunal para manifestar apoio a Yang.

Um dos mais proeminentes a apoiarem Yang foi o designer WeiWei, que junto com o escritório de arquitetura Herzog & de Meuron projetou o estádio olímpico nacional, o Ninho de Pássaro.

Outras celebridades e personalidades famosas da China assinaram uma petição online para que as alegações de tortura feitas por Yang fossem investigadas.

De acordo com o advogado do acusado, Liu Xiaoyuan, a Corte Suprema anunciou na sexta-feira que havia decidido manter a condenação da primeira instância.

A mãe do jovem visitou-o na prisão no sábado sem saber que era a última vez que iria vê-lo.

A família foi informada da posição irreversível da justiça na terça-feira e Yang foi executado na manhã de quarta.

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