Chinês convoca embaixador dos EUA para protestar contra encontro Obama-Dalai

Pequim, 19 fev (EFE).- O Governo da China pediu hoje o comparecimento do embaixador americano em seu país, Jon Huntsman, para transmitir um protesto formal pela reunião entre o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, e o Dalai Lama, líder político e religioso tibetano, informou hoje a agência Xinhua.

EFE |

A reunião foi convocada pelo vice-ministro de Assuntos Exteriores chinês, Cui Tiankai, que será encarregado de apresentar a Huntsman o protesto por um encontro realizado em um momento tenso na relação entre Washington e Pequim.

Huntsman, de 50 anos, ex-governador do estado de Utah, foi nomeado há menos de um ano embaixador dos EUA na China apesar pertencer ao Partido Republicano (oposição), por seus laços com o Oriente. Ele trabalhou em Taiwan nos anos 80, fala mandarim fluentemente e adotou uma menina chinesa.

A reunião entre Obama e o Dalai Lama, apesar de ter sido realizada com relativa discrição na Casa Branca, e de não ser a primeira do líder tibetano com um presidente americano, foi recebida com fúria pelo Governo chinês, que mostrou várias vezes sua insatisfação.

Antes de apresentar oficialmente o protesto à Administração americana, o Governo chinês assegurou em comunicado que Washington "violou gravemente" os princípios que regem as relações internacionais e atuou contra os comunicados conjuntos assinados por China e EUA para estabelecer os laços bilaterais.

A China exige que os EUA reconheçam zonas como Tibete ou a ilha de Taiwan como parte inalienável de seu território e não demonstre apoio em nenhum caso às forças "separatistas".

"Os EUA devem deixar de interferir nos assuntos internos da China e adotar medidas concretas para manter o crescimento saudável e contínuo das relações (entre Washington e Pequim)", destacou no comunicado o porta-voz do Ministério de Assuntos Exteriores chinês, Ma Zhaoxu.

A recepção do Dalai Lama por Obama acrescenta mais tensão em um difícil momento de relações entre as duas potências, depois que, em janeiro, uma das principais empresas americanas - Google - ameaçou se retirar do mercado chinês, e Washington aprovou uma polêmica venda de armamento a Taiwan.

A implantação de tarifas à importação de alguns produtos chineses nos EUA - respondida com similares medidas por parte da China - e o cancelamento dos intercâmbios militares bilaterais aumentaram a tensão, em um ano em que os analistas já tinham classificado como "muito duro" para as relações entre Pequim e Washington.

Obama tinha decidido não receber o Dalai Lama em 2009, quando ele visitava Washington, em gesto direcionado a Pequim, já que o presidente americano quis se reunir primeiro com os líderes chineses, na visita que fez ao país em novembro. EFE abc/fm

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