Chincha, no Peru, renasce dos escombros graças à ajuda internacional

Teresa Rodríguez. Chincha (Peru), 16 ago (EFE).- Entre casas precárias e uma admirável esperança, Chincha, uma das províncias mais afetadas pelo terremoto que há dois anos assolou a costa central do Peru, renasce graças às ONGs frente ao pouco apoio do Estado peruano.

EFE |

Tal é a lentidão e escassez da ajuda enviada pelo Governo a esta região que a maioria dos desabrigados continuam sem uma casa digna nem serviços básicos, como água e luz, ao se completar o segundo ano do terremoto de 7,9 graus na escala Richter, que deixou quase 600 mortos no dia 15 de agosto de 2007.

A maioria dos habitantes de Chincha, a 300 quilômetros ao sul de Lima, perdeu suas casas nos 210 segundos que durou o tremor e, desde então, tentam reconstruir suas vidas e casas como podem, embora seja com plásticos e esteiras, e, no melhor dos casos, com a ajuda internacional.

De fato, um passeio por Chincha consiste em percorrer uma sucessão de barracos feitas com madeira, plásticos e esteiras, tendas de lona e pequenas casas de barro ou tijolo que se levantam entre o pó e alguns escombros que ainda permanecem nas ruas, como se o tempo não tivesse passado, esperando para que alguém os recolha.

Algumas casas desabitadas, que não desabaram totalmente com o terremoto, ainda permanecem com seus pilares, paredes e pisos retorcidos e rachados, como testemunhas dos efeitos destrutivos do terremoto que deixou 75 mil famílias sem lar.

Além disso, as igrejas continuam derrubadas, com seus campanários e paredes fragmentadas, enquanto os cascalhos das colunas e as esculturas de santos e virgens jazem no que era o piso dos templos.

Segundo um dos membros da ONG italiana Associação Solidariedade Países Emergentes (ASPEm), Ricardo Fernández, que ajuda os desabrigados de Chincha desde 2007, o problema é que "o Estado peruano reduz sua ajuda aos núcleos urbanos e esquece das zonas rurais onde ainda há situações de emergência".

Na sua opinião, "dois anos não bastam para que o Governo anuncie a construção de mais casas" para os desabrigados, já que ainda existem urgências como a regulação dos títulos de propriedade dos terrenos, sem os quais seus donos não podem ter acesso a nenhum tipo de benefício.

O bairro de Alto Larán (Chincha) é um dos muitos centros povoados que não recebeu a mínima ajuda e onde 90% dos moradores não conta com títulos de propriedade, motivo pelo qual não podem ter acesso a nenhuma ajuda do Governo, segundo explicou seu prefeito, Alberto Magallanes.

"Mais de 1.900 famílias de Alto Larán não contam com título de propriedade e, por isso, ainda vivem em tendas e esteiras", lamentou Magallanes.

O prefeito de Tambo de Mora, Domingo Vicente Farfán, outro dos bairros de Chincha mais afetados pelo terremoto, ressaltou a "agilidade dos voluntários que agiram na região, frente à lentidão do Estado", já que desde a catástrofe só receberam 200 mil sóis (US$ 68 mil) do Governo central.

Assim corrobora Jésica Llanos, uma das mães de Tambo de Mora, que, após perder sua casa devido ao terremoto, recebeu uma das 112 casas que a ASPEm entregou aos moradores da região.

"Estou muito agradecida aos países estrangeiros porque graças a eles contamos com um teto e alguns banheiros públicos, já que nosso Governo não nos ajudou como as ONGs", destacou Llanos.

Perante esta situação de espera e impotência, e por causa do segundo aniversário do terremoto, os desabrigados das regiões de Chincha, Pisco e Ica, realizaram no último sábado, dia 15, uma vigília pelos mortos, assim como uma série de manifestações para exigir do Governo um avanço na reconstrução. EFE tr/ma

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