Pequim, 20 mai (EFE).- A China completou hoje seu segundo dia de luto oficial pelos mais de 40 mil mortos em consequência do terremoto que atingiu na semana passada a região de Sichuan, e ainda mantém a tensão quanto a um possível aumento neste número.

Quase sem esperanças de encontrar sobreviventes, o país já conta 40.075 mortos, e só faz esperar por milagres, como o de Ma Yuan, de 31 anos, resgatado após passar 179 horas sob os escombros, depois que a usina de energia da qual era empregado, em Wenchuan, caiu enquanto ele trabalhava.

As autoridades provinciais de Sichuan (sudoeste) elevaram o número de mortos para 39.577, e além disso, há 236.359 feridos e pelo menos 32.361 desaparecidos.

O Governo assegurou hoje que não há risco de epidemias de importância na zona afetada pelo terremoto, onde planeja distribuir em 10 dias um total de 400 telefones celulares com software de posicionamento e informação para oferecer um atendimento mais adequado a mais de 10 milhões de pessoas.

A vice-ministra de Assuntos Civis da China, Jiang Li, indicou em entrevista coletiva que 80% dos cadáveres recuperados já foram incinerados ou enterrados.

Quarenta e oito equipes de transporte e assistência foram disponibilizadas para fazer a cremação e o enterro dos falecidos em decorrência da tragédia, além de entregar uma indenização de 5 mil iuanes (US$ 714) a cada uma das famílias desabrigadas.

Para aqueles casos em que os restos mortais não forem identificados, está prevista a criação de uma base de dados com fotografias e mostras de DNA para uma possível identificação no futuro.

Além disso, há mais de 5 milhões de pessoas que ficaram sem lar.

Sobre esse ponto, Jiang explicou que o Governo trabalhará para abrigar essas pessoas em casas de familiares ou amigos, ou colocá-las em tendas de campanha, lugares públicos e albergues sociais.

Além disso, disse que "um grupo de analistas examinará a situação nas áreas devastadas para decidir onde se pode reconstruir, e em que caso é mais conveniente um realojamento em novas zonas", um trabalho que será liderado pelo Conselho de Estado.

Jiang prometeu "transparência" na supervisão das doações que a China recebeu de seus cidadãos e de pessoas de outros países, que no caso da Cruz Vermelha local foram as maiores da história, alcançando no final da noite de ontem - segunda-feira - US$ 392 milhões.

Os fatores que mais propiciaram uma arrecadação histórica foram a transparência informativa, a estreita cobertura midiática do terremoto, a responsabilidade social corporativa e a maior capacidade econômica do povo chinês, segundo informou Wang Ping, subdiretor do Escritório de Resposta de Emergência da entidade.

Estão chegando ainda ao país equipes de resgate do exterior, principalmente da Rússia, Japão, Itália e Cingapura, os únicos países autorizados a enviar pessoal até o momento.

O porta-voz de Exteriores chinês, Qin Gang, apontou neste sentido que "outros (países) manifestaram seu desejo de ajudar, mas dadas as dificuldades de transporte e telecomunicações, a China não pode aceitar todas as equipes médicas".

O dia de hoje começou com uma nova réplica do terremoto, de 5 graus, no epicentro da área devastada na semana passada, e com o pânico geral perante a possibilidade de um novo tremor que possa chegar a 6 ou 7 graus.

A possibilidade, anunciada pelas autoridades, produziu a fuga de milhares de pessoas que foram reabrigadas em tendas de campanha. EFE pa/fh/gs

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