As autoridades chinesas disseram nesta quinta-feira que provavelmente 50.000 pessoas morreram no terremoto que devastou o sudoeste do país, num momento em que diminui a esperança de encontrar sobreviventes.

"Os mortos chegam a 50.000", informou a televisão estatal, citando as últimas cifras publicadas pelo Centro Nacional de Resgate e que superam amplamente o número anterior de 15.000 vítimas fatais e 27.000 desaparecidos.

Trata-se da primeira vez que o governo chinês faz uma estimativa do número de mortos, e inclui boa parte das dezenas de milhares de pessoas sepultadas sob os escombros, o que constitui uma indicação das poucas expectativas de encontrá-las com vida.

O terremoto, de 7,9 graus na escala Richter, devastou segunda-feira a região montanhosa de Sichuan e arrasou várias cidades, sendo considerado o pior sofrido pela China desde o de Tangshan, perto de Pequim, em 1976, que causou 242.000 mortos.

"Se houver sobreviventes em semelhantes condições é uma questão de sorte ou um milagre" resgatá-los, disse Zhang Zhoushu, vice-diretor do Centro de Prevenção de Desastres e Terremotos, com sede em Pequim.

Em meio à tragédia, ocorrem milagres, como atesta a menina de 11 anos resgatada com vida hoje, depois de passar 68 horas soterrada entre os escombros de uma escola em Yingxiu, no epicentro do sismo.

Quase 70 pais aguardavam junto ao que sobrou da escola primária nesta cidade da província de Sichuan, quando as equipes de resgate ouviram a voz da menina.

"É maravilhoso, está viva!" disse uma testemunha ao ver a criança.

Consciente de que agora cada minuto conta, o governo lançou um grande movimento de mobilização do Exército e da população, incentivada a fornecer de maneira urgente pás e equipamentos para ajudar os trabalhos de milhares de socorristas.

"Devemos utilizar todas as nossas forças para salvar vidas, custe o que custar", disse o primeiro-ministro chinês, Wen Jiabao, em uma reunião de crise do Partido Comunista, acrescentando que esta batalha é a maior prioridade da nação.

Após ter recusado obstinadamente qualquer ajuda de pessoal estrangeiro, o regime chinês voltou atrás nesta quinta-feira e aceitou o envio de equipes de resgate de Rússia, Coréia do Sul e Cingapura, informou a imprensa estatal.

Uma equipe de socorristas japoneses já havia chegado à região nas primeiras horas desta sexta-feira.

Segundo o porta-voz do ministério das Relações Exteriores, Qin Gang, citado pela agência estatal de notícias Nova China, o governo de Pequim aceitou a oferta destes países devido a sua proximidade com a China, o que garante a rapidez da ajuda.

"Após 72 horas, as operações de socorro se tornam extremamente difíceis", reconheceu Zhang Zhoushu. "Como a destruição foi muito grande e as vítimas estão soterradas muito profundamente, é realmente difícil", prosseguiu, acrescentando que "em tais condições, encontrar sobreviventes seria um milagre".

"As pessoas são salvas nos primeiros três ou quatro dias", recordou Willie McMartin, diretor da organização britânica International Rescue Corps, que está em Hong Kong à espera de receber permissão para entrar na China.

"É possível sobreviver por até 15 dias, mas nesse caso estamos falando de milagres, que não ocorrem com freqüência".

Um avião da Cruz Vermelha de Taiwan chegou nesta quinta-feira a Sichuan, onde há 19.500 mortos, com milhares e milhares de pessoas presas sob os escombros.

Enquanto o Exército redobrava os esforços com mais tropas e material, as autoridades revelavam que o sismo pôs em risco a segurança de numerosas represas de Sichuan.

Concretamente, as autoridades detectaron riscos na segurança de mais de 400 represas em cinco províncias, informou a televisão estatal citando dirigentes.

No plano logístico, o ministério da Indústria e Informação chinês fez um "apelo urgente" à doação de ferramentas e material de todo tipo para as tarefas de resgate.

O premier Wen Jiabao ordenou o envio de 30.000 soldados suplementares e 90 helicópteros às zonas afetadas e o Exército iniciou as primeiras operações de lançamento aéreo de víveres, roupas e cobertores em grande escala.

Há informações sobre 900 turistas bloqueados em diferentes pontos do país.

Nesta quinta-feira, um helicóptero militar chinês transportou para local seguro 33 turistas de Grã-Bretanha, Estados Unidos e França.

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