China suspende cooperação militar com os EUA

A China suspendeu os programas de intercâmbio diplomático e militar com os Estados Unidos em protesto contra um acordo de US$6,4 bilhões de vendas de armas americanas a Taiwan. A informação sobre a suspensão dos programas foi confirmada por oficiais do Departamento de Defesa americano e representa a materialização de ameaças que a China já havia proferido.

BBC Brasil |

No sábado, o porta-voz do ministério das Relações Exteriores, Liu Jianchao, disse que a China se reservava o direito de responder à ameaça representada pelo acordo.

Para Jianchao, a venda das armas "prejudica os interesses da China e as relações sino-americanas".

O porta-voz do ministério da Defesa chinês, Hu Changming, foi ainda mais enfático e afirmou que o acordo com Taiwan "arruinou a atmosfera positiva" que existia entre as forças armadas chinesas e americanas.

O acordo, que foi apresentado ao Congresso americano na sexta-feira, inclui a venda de helicópteros Apache, interceptadores de mísseis aéreos e lançadores de mísseis submarinos.

Suspensões
A ação de protesto chinesa implica que os encontros diplomáticos sino-americanos para tratar da não proliferação de armas de destruição em massa também serão afetados.

Além disso, a visita de um general chinês aos Estados Unidos foi cancelada e a cooperação em chamadas de portos da marinha está revogada.

Um programa de intercâmbio de treinamento para situações de resgate e auxílio humanitário em casos de desastre também foi suspenso.

A China se opõe ao acordo de venda porque entende que Taiwan é parte inalienável de seu território - a chamada política da "China Única". Por isso, o governo chinês não quer que a ilha, que é independente na prática, tenha poder militar para desafiar e ameaçar Pequim.

Os Estados Unidos, por sua vez, são grandes parceiros comerciais da China, mas têm interesse em manter Taiwan militarmente forte para conter a hegemonia chinesa na região, embora afirme publicamente que o presente acordo "não chega a alterar o equilíbrio militar".

Segundo Washington, o acordo é uma prova do compromisso americano de garantir que Taiwan tenha "as armas de que precisa para ser forte".

Os Estados Unidos são os maiores fornecedores de armamento a Taiwan.

A China argumenta que o acordo, além de ser uma grande "interferência na política interna", também é uma violação ao comunicado diplomático conjunto assinado pelos dois países em agosto de1982.

No sexto parágrafo do documento, os EUA afirmam que o país "não busca conduzir uma política de venda de armas a longo prazo a Taiwan" e que "pretende reduzir gradualmente a venda de armas", além de "reconhecer a posição chinesa na solução dessa questão".

Recentemente, os laços diplomáticos entre a China e Taiwan mostravam-se fortalecidos com o aumento no número de viagens entre cidadãos da ilha e do continente e a inauguração de vôos regulares conectando os dois países.

No entanto, o atual impasse reacende a fragilidade da relação.

Taiwan é uma ilha na costa leste da China para onde fugiram em 1949 as forças nacionalistas do general Chiang Kai-shek, derrotadas por Mao Tsé-Tung.

Na prática, Taiwan é um país independente e democrático, mas Pequim não reconhece a independência e considera a ilha uma província rebelde.

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