China revela casos de desvios de dinheiro de ajuda

Uma auditoria estatal conduzida pelo governo da China apontou várias irregularidades no destino dado ao doações de auxílio às vitimas do terremoto que atingiu a província de Sichuan há um mês. As irregularidades, totalizando cerca de US$ 43 mil, foram publicadas na quinta-feira no site do Escritório Nacional de Auditoria (ENA) e fazem parte dos resultados obtidos na primeira leva de investigações sobre o mau uso de recursos destinados às comunidades afetadas pelo terremoto.

BBC Brasil |

O ENA disse que pelo menos dois casos de corrupção envolvem instituições prestigiosas como a Federação de Indústria e Comércio da China (FICC) e o Banco da Indústria e Comércio (ICBC), que é parcialmente estatal.

Deslize
Em Sichuan, no vilarejo de Mianyang, que foi fortemente afetado pelo terremoto, funcionários da agência local do ICBC compraram para si mesmos 56 pares de tênis Nike no valor de 28.500 yuans (cerca de R$ 6.788) e declaram no recibo ter gasto o dinheiro com guarda-chuvas e capas para os necessitados.

O banco reconheceu o deslize dos funcionários e já retornou ao fundo de auxílio às vitimas uma soma equivalente ao total gasto pelos funcionários, informou nesta sexta-feira o jornal estatal China Daily.

Em Anyang, na província de Henan, 271 mil yuans (cerca de R$ 64.550) de doações foram utilizados sem autorização para a suposta compra de produtos às vitimas.

Um membro da federação encomendou cerca de 41.500 yuans (cerca de R$ 9.885) em roupas de uma fábrica que pertencia ao irmão dele.

Os recibos estavam falsificados e entre as roupas enviadas para as famílias da cidade de Guangyuan, em Sichuan, havia peças que seriam descartadas por ter defeitos.

Segundo o ENA, o governo local de Anyang está investigando o caso para punir os responsáveis.

Golpe
O ENA também afirmou que golpes foram aplicados via celular.

Gangues passaram mensagens de textos pedindo doações em nome das vítimas e divulgavam números de contas bancárias pessoais que na verdade pertenciam a membros da gangue.

Para impedir que os golpistas embolsem o dinheiro, a polícia congelou as contas e o Departamento de Segurança Pública está lidando com o caso.

O Escritório Nacional de Auditoria anunciou que vai continuar as investigações e divulgará atualizações mensais sobre esses e novos casos de corrupção envolvendo verbas de auxílio às vitimas do terremoto.

Na quinta-feira, o fundo do governo para as comunidades afetadas pelo tremor chegava a 23,6 bilhões de yuans (cerca de R$ 5,6 bilhões) em bens e dinheiro, enquanto que as doações civis já passavam de 44,8 bilhões de yuans (cerca de R$ 10,5 bilhões).

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