China retoma bloqueio a sites após fase de tolerância

A China voltou a endurecer a censura da internet no país com a retomada do bloqueio a diversos sites de notícias independentes. A medida voltou a ser adotada após quatro meses de tolerância.

BBC Brasil |

Páginas da internet como a do serviço chinês da BBC e da rádio Voz da América eram inacessíveis no país, mas foram desbloqueados durante a Olimpíada de Pequim pelo serviço governamental que supervisiona a internet.

Em agosto, às vésperas dos Jogos, jornalistas internacionais que estavam no país para cobrir o evento reclamaram publicamente da censura, e as restrições foram relaxadas.

Na ocasião, manchetes do mundo todo criticaram a ironia da situação, pois assessores de imprensa oficiais diziam que os Jogos Olímpicos significavam a "abertura e modernização" da China, porém, computadores do próprio centro de imprensa não respondiam a buscas por termos polêmicos no país como "democracia", "Tibete" e "Praça da Paz Celestial 1989".

Sites de órgãos da imprensa de Hong Kong e de Taiwan, que habitualmente criticam o Partido Comunista, também foram temporariamente desbloqueados há quatro meses, mas agora voltaram a ser proibidos.

Um porta-voz do governo se recusou a confirmar se o departamento de informação e propaganda do país está por trás da censura.

Ele afirmou apenas que sites que apóiam a independência de Taiwan são contrários às leis da China.

Bloqueados

"Pelo que eu sei, esses sites como o jornal Mingbao, de Hong Kong, Apple Daily e outros críticos de Pequim estão bloqueados de novo", afirmou Si Si Liu, pesquisadora da Anistia Internacional em Hong Kong, à BBC Brasil.

"A noção de sociedade harmônica idealizada pelo governo da China não dá espaço para que as pessoas exponham as suas reclamações", disse Liu. "Não existe plena liberdade de imprensa (no país)."
"Talvez o governo tenha feito um esforço durante a Olimpíada para ter uma imprensa mais livre, mas agora tudo regrediu", lamentou.

A China é o país com maior número de usuários da internet no mundo - cerca de 250 milhões de pessoas utilizam a rede de computadores no país.

Apesar de popular, a rede também é fortemente controlada pelo Departamento de Propaganda do governo, que monitora fóruns de discussão, emite diretrizes de proibições para portais e bloqueia buscas por palavras consideradas impróprias.

O controle é tamanho que é comum o uso da expressão em inglês "the Great Firewall of China" - um trocadilho bem humorado com a expressão "Grande Muralha da China" - para se referir à censura da internet no país.

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