Jornalistas trabalhando na cobertura dos Jogos Olímpicos de Pequim terão acesso restrito à internet, disse o governo da China nesta quarta-feira, voltando atrás em um compromisso feito anteriormente de levantar as proibições à navegação durante o evento.

Quando o país se candidatou para sediar os Jogos, sete anos atrás, se comprometeu a prover acesso irrestrito à internet para profissionais de comunicação.

Entretanto, porta-vozes do Comitê Olímpico Internacional (COI) e do governo chinês afirmaram que determinados sites sobre assuntos considerados "sensíveis" permanecerão bloqueados mesmo quando o encontro esportivo começar, no próximo dia 8.

"Não estou retrocedendo em relação ao que havia dito. Haverá acesso completo, aberto e livre à internet durante os Jogos para que os jornalistas trabalhem", disse o presidente do comitê de imprensa do COI, Kevan Gosper, ao jornal South China Morning Post.

"Mas fui avisado de que algumas autoridades do COI haviam negociado com os chineses que alguns sites sensíveis permanecerão bloqueados."
Mais de 20 mil profissionais são esperados na capital chinesa para a cobertura dos Jogos Olímpicos. A uma semana da abertura do evento, muitos já começam a se instalar nos centros de imprensa montados especialmente para a ocasião.

Na terça-feira, profissionais manifestaram impossibilidade de acessar o site da organização de direitos humanos Anistia Internacional, que divulgara um relatório crítico sobre a situação dos direitos humanos na China às portas do início das Olimpíadas. Outras páginas sobre temas como a situação no Tibete permaneciam com acesso bloqueado.

O porta-voz do Ministério do Exterior chinês Liu Jianchao confirmou que sites sobre o movimento espiritual Falun Gong também estarão indisponíveis. "Acho que vocês sabem que a Falun Gong é um culto banido de acordo com a lei, e vamos manter nossa posição", disse, em uma entrevista coletiva na terça-feira.

O governo chinês mantém um controle rígido sobre a mídia do país. Um relatório divulgado pelo órgão chinês de monitoramento da internet afirmou que o acesso à rede web já chega a 253 milhões de pessoas - em uma população total de cerca de 1,4 bilhão -, o maior contingente do mundo em termos absolutos.

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