China reprime convocação de protestos pela internet

Governo mobilizou forte esquema de segurança, após mobilização em redes sociais. Poucos, no entanto, foram às ruas para protestar

AFP |

A China prendeu dezenas de ativistas e mobilizou um forte esquema de segurança em suas principais cidades, depois de uma campanha lançada na internet para convocar manifestações pelos direitos humanos. As mensagens publicadas em redes sociais foram inspiradas pelas rebeliões populares contra regimes autoritários que se espalham pelo mundo árabe desde janeiro , informaram os organizadores da iniciativa neste domingo.

Pelo menos 100 advogados e ativistas chineses simplesmente desapareceram desde sábado, ao mesmo tempo em que a polícia tomou preventivamente uma série de pontos de protesto em todo o país, pronta para conter qualquer manifestação, segundo os coordenadores da campanha. O governo está censurando mensagens de texto de celulares e na internet.

"Saudamos (...) trabalhadores demitidos e vítimas dos despejos forçados que queiram participar das manifestações, gritar slogans e buscar a liberdade, a democracia e reformas políticas para acabar com o 'partido único'", diz uma das mensagens divulgadas na rede. Os textos, cuja maioria parece ter origem em sites estrangeiros controlados por dissidentes chineses no exílio, convocam os protestos em Pequim, Xangai, Guangzhou e 10 outras grandes cidades chinesas. Os manifestantes são instruídos a disseminar slogans como "queremos comida para comer", "queremos emprego", "queremos casas", "queremos justiça", "vida longa à liberdade" e "vida longa à democracia".

No distrito de compras de Wangfujing, no centro de Pequim, onde os manifestantes foram orientados a se concentrar, centenas de policiais foram mobilizados. No entanto, não houve protesto. Pelo menos duas pessoas foram vistas sendo levadas pela polícia, uma por xingar as autoridades e outra por gritar "quero comida para comer". Mais de 300 agentes à paisana se dispersaram pelo distrito e filmavam frequentadores das lojas, turistas e jornalistas. A agência oficial Xinhua indicou que a multidão que se reuniu para os protestos se dispersou em Pequim e Xangai depois da chegada da polícia. Em Xangai, pelo menos três pessoas foram presas.

Segundo mensagens postadas em fóruns na internet, apenas alguns manifestantes apareceram nas outras cidades, apesar do enorme contingente policial mobilizado nos locais de protesto em Harbin, Guangzhou e Chengdu. "Eu não acho que a convocação foi séria, ninguém de fato pretendia protestar porque há muitos policiais", estimou o advogado Li Jinsong, em entrevista à AFP.

"Levando isso tão a sério, a polícia apenas demonstra quão preocupada está com a possível influência da Revolução de Jasmim na estabilidade social da China", afirmou, referindo-se ao nome dado à rebelião na Tunísia, que derrubou o presidente Zine El Abidine Ben Ali e inspirou movimentos semelhantes em vários países do mundo árabe . Conforme a notícia da convocação se espalhava, vários dissidentes políticos e advogados foram detidos pela polícia, segundo ativistas.

"Muitos defensores dos direitos humanos desapareceram nos últimos dias, outros estão sob prisão domiciliar e seus telefones celulares foram bloqueados", indicou à AFP a advogada Ni Yulan."A presença da polícia do lado de fora de minha porta aumentou. E eles nos seguem se saímos de casa", contou Ni.

Segundo o Centro de Informações pelos Direitos Humanos e a Democracia, mais de 100 ativistas já foram presos, "desapareceram" ou estão sob prisão domiciliar em Pequim, Zhejiang, Sichuan, Guizhou, Hunan, Xangai e outras cidades. "Isto tem a ver com a convocação para uma Revolução de Jasmim", explicou o grupo, cuja sede fica em Hong Kong.

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