China reforça vigilância no aniversário de protesto

Por Ben Blanchard PEQUIM (Reuters) - A China cobriu na quinta-feira a praça da Paz Celestial com policiais para evitar que manifestantes celebrassem os 20 anos da repressão aos protestos pró-democracia de 1989. Os EUA aproveitaram a data para cobrar explicações da China.

Reuters |

Na madrugada de 4 de junho de 1989, tanques invadiram a praça Tiananmen (ou da Paz Celestial) para dispersar estudantes e trabalhadores que havia semanas participavam de manifestações. O Partido Comunista nunca divulgou um número de mortos do incidente, e teme que o aniversário enseje contestações ao seu poder.

Num sinal ambíguo de confiança e cautela do regime, a praça ficou aberta a visitantes na quinta-feira, mas com a presença de centenas de guardas e soldados. No décimo aniversário da repressão, em 1999, a praça foi fechada ao público.

Não foram registrados restos de protesto, e a maioria dos visitantes pareciam ser turistas de fora de Pequim, alheios à data.

Mas houve quem discretamente homenageasse as vítimas. "Hoje é 4 de junho, então vim aqui lembrar", disse um homem de sobrenome Wang.

Em Hong Kong, dezenas de milhares de pessoas participaram de uma vigília à luz de velas na noite de quinta-feira. Os organizadores estimam que houvesse 150 mil pessoas, que não couberam em seis campos de futebol de um parque no centro do território.

"Em 20 anos, o nó do 4 de junho não foi desatado", disse o reverendo Chu Yiu-ming, um dos organizadores.

Na quarta-feira, a secretária norte-americana de Estado, Hillary Clinton, disse que o aniversário seria o momento adequado para a China prestar satisfações.

"Uma China que fez enormes progressos economicamente e está emergindo para assumir seu correto lugar na liderança global deveria examinar abertamente os fatos mais sombrios do seu passado e fornecer uma explicação pública sobre os que foram mortos, detidos ou desaparecidos, tanto para aprender quanto para curar", afirmou Hillary em nota.

A China lamentou a "rude interferência" dos EUA. "Manifestamos nossa forte insatisfação e resoluta oposição", disse Qin Gang, porta-voz da chancelaria.

Nesta semana, o regime chinês bloqueou o acesso à rede de mensagens Twitter, ao serviço de fotos Flickr e, por algum tempo, ao serviço de email Hotmail. Reportagens do exterior sobre o aniversário também foram censuradas.

(Reportagem adicional de Chris Buckley, Benjamin Kang Lim and Lucy Hornby em Pequim, Arshad Mohammed em Washington, James Pomfret em Hong Kong, Ralph Jennings em Taipei, e Rob Taylor em Canberra)

    Leia tudo sobre: iG

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG