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China reage e acusa EUA de hipocrisia em direitos humanos

O governo da China respondeu nesta sexta-feira às críticas feitas pelos Estados Unidos em um relatório anual sobre a situação dos direitos humanos em todo o mundo divulgado na última quarta-feira. A reação chinesa veio na forma de um outro relatório: o 10º relatório anual da China a respeito de problemas com direitos humanos nos Estados Unidos.

BBC Brasil |

"A prática dos Estados Unidos de atirar pedras em outros enquanto vive
em uma casa de vidro é testemunho dos critérios duplos e da hipocrisia
dos Estados Unidos para lidar com direitos humanos, o que prejudica sua
imagem internacional", afirma o documento chinês.

Na quarta-feira, o relatório publicado pelos Estados Unidos dizia que o respeito aos direitos humanos na China piorou e citava como exemplo a repressão de dissidentes e minorias no Tibete.

"Durante anos, os Estados Unidos se posicionaram a respeito de outros
países e divulgaram o Relatório Anual de Práticas de Direitos Humanos
para criticar as condições dos direitos humanos em outros países,
usando isso como uma ferramenta para interferir e denegrir outros
países", diz texto publicado nesta sexta pela agência de notícias estatal chinesa Xinhua.

O relatório do Escritório de Informações do Conselho de Estado chinês afirma que "crimes violentos frequentes nos Estados Unidos são uma ameaça grave para a vida, a propriedade e a segurança pessoal de seu povo".

O documento chinês acrescenta que os direitos econômicos, sociais e culturais do povo americano não são protegidos "de forma adequada", diz que muitos jovens americanos tem "problemas de personalidade" e afirma que a discriminação racial "prevalece em todos os aspectos da vida social".

"Aconselhamos o governo dos Estados Unidos a começar de novo, enfrentar seus próprios problemas de direitos humanos com coragem, e parar com a prática errada de aplicar critérios duplos em questões de direitos humanos", conclui o relatório chinês.

O documento publicado pela China avalia a situação dos direitos humanos nos Estados Unidos em seis aspectos: vida e segurança pessoal, direitos civis e políticos, direitos econômicos, sociais e culturais, discriminação racial, direitos das mulheres e crianças e a violação dos direitos humanos pelos Estados Unidos em outros países.

Citando dados do FBI e do Centro de Controle de Doenças e Prevenção dos Estados Unidos, o relatório chinês afirma que, com frequência, mortes provocadas por armas são uma ameaça grave às vidas dos cidadãos americanos.

O relatório também comenta a situação econômica do país, incluindo o aumento do número de pessoas sem teto, e - citando dados oficiais do governo americano, diz que 12,5% dos americanos, ou 37,3 milhões de pessoas, viviam na pobreza em 2007.

Ainda no trecho que trata da economia americana, o relatório lembra que a taxa de desemprego nos Estados Unidos aumentou de 4,6% em 2007 para 5,8% em 2008.

Segundo o correspondente da BBC em Pequim, James Reynolds, o relatório chinês sobre os Estados Unidos e o relatório americano sobre a China fazem parte de uma troca anual bem comum entre os dois países.

De acordo com Reynolds, as novas críticas revelam uma prática que já se tornou costumeira e parece ter pouco impacto prático nas relações entre China e Estados Unidos.

No final da semana passada, a secretária de Estado americana Hillary Clinton esteve em Pequim para reunião com todos os líderes da China e as denúncias de violação dos direitos humanos foram pouco mencionadas - pelo menos em público.

Os Estados Unidos e a China também iniciaram uma reunião de dois dias sobre questões militares em Pequim, e os dois países ainda contam um com o outro para enfrentar a atual crise econômica mundial.

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