China quer papel mais ativo na solução da crise econômica

O governo chinês está dando sinais de que quer ter uma participação maior na solução da crise mundial e de que desempenhará uma postura mais ativa na reformulação do sistema financeiro mundial, assunto que será discutido na reunião do G-20, em novembro em Washington. Um artigo publicado nesta quarta-feira no jornal China Daily, que pertence ao governo, afirma que é chegada a hora do país desempenhar um papel ativo no sistema financeiro mundial.

BBC Brasil |

Opiniões de altos membros do Partido Comunista, que também são executivos do sistema financeiro, defendem que a China tem a capacidade e o dever de agir pró-ativamente no resgate à crise.

A afirmação do jornal estatal vem um dia após o primeiro-ministro britânico, Gordon Brown, pedir que China e países produtores de petróleo doassem mais recursos ao Fundo Monetário Internacional (FMI).

Reservas substanciais
Na terça-feira, Brown disse que acredita que "os países que têm reservas substanciais - como os países com reservas de petróleo e outros" serão os maiores contribuintes para o reforço do fundo do FMI, que atualmente já possui US$ 250 bilhões.

"A China também tem reservas consideráveis", completou Brown.

O primeiro-ministro chinês, Wen Jiabao, e o presidente, Hu Jintao, já deram indícios de que a China poderá utilizar parte dos US$ 1,9 trilhão de reservas que possui para socorrer as economias ocidentais, mas espera em troca ter um papel político mais relevante no novo sistema econômico internacional.

No último fim de semana, durante um fórum que reuniu líderes da Ásia e Europa em Pequim, Wen Jiabao afirmou que países emergentes devem desempenhar um papel maior na supervisão de organizações financeiras internacionais, como o FMI e o Banco Mundial.

Junto com o Japão, a China é um dos principais credores da dívida externa dos Estados Unidos, possuindo títulos do tesouro americano estimados em cerca de meio trilhão de dólares.

Influência
Uma das ambições chinesas é aumentar sua influência internacional através do reconhecimento do yuan como uma moeda expressiva nos mercados, junto ao iene japonês, o dólar americano, o euro e a libra britânica.

"Mais moedas, especialmente o yuan chinês, deveriam ser incluídas na cesta de reservas globais", afirmou ao China Daily Tang Min, vice-secretário geral da Fundação Chinesa de Desenvolvimento e Pesquisa Econômica, se referindo à composição do Fundo Monetário Internacional.

Guo Shuqing, que é atualmente presidente do Banco de Construção da China e ex-vice-presidente do Banco Central também apóia um papel preponderante de Pequim na nova ordem econômica que será discutida em Washington.

"As autoridades devem abraçar ativamente essa oportunidade e tomar a liderança na reconstrução do sistema monetário internacional", defendeu Guo.

"De certa forma a China já se tornou a maior exportadora de capital do mundo e deveria ter o direito de opinar sobre o novo sistema", justificou ele.

Tang também destacou que os interesses dos outros emergentes, inclusive do Brasil, deverão ser levados em consideração no encontro do G-20.

"Nós devemos ter em mente os interesses dos outros emergentes quando negociarmos com os países desenvolvidos", afirmou.

"Trata-se de uma nova ordem: é um sistema que vai garantir segurança financeira e proteger os interesses de todos", sublinhou ele.

Em 15 de novembro, líderes do grupo dos vinte países, o G-20, que inclui emergentes como China, Brasil e Índia, se reunirão em Washington para discutir soluções à crise, a reformulação do sistema financeiro mundial e possíveis reformas em instituições como o Fundo Monetário Internacional e o Banco Mundial.

Ambas organizações foram estabelecidas após a Segunda Guerra Mundial na conferência de Bretton Woods, e especialistas do mundo todo questionam atualmente se essa estrutura de praticamente meio século de idade ainda pode atender às necessidades da realidade moderna.

    Leia tudo sobre: iG

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG