China publica Livro Branco de diretrizes para América Latina e Caribe

Pequim, 5 nov (EFE).- O Governo chinês publicou hoje seu primeiro Livro Branco (de diretrizes) sobre a América Latina e o Caribe, e a futura cooperação de enorme potencial com países em desenvolvimento que, como a China, desempenham um papel cada vez mais importante em assuntos internacionais e regionais.

EFE |

Durante a apresentação, o diretor-geral para a América Latina e o Caribe do Ministério de Assuntos Exteriores chinês, Yang Wanming, disse que a obra visa aprofundar a cooperação comercial, energética e de defesa, esta última "quanto à segurança não tradicional como a luta contra o terrorismo para aumentar a capacidade de resposta".

Para sua elaboração foram consultados acadêmicos e analistas, além dos representantes da América Latina e do Caribe.

Segundo Yang, "o Governo chinês está comprometido com a política defensiva e está pronto para desenvolver laços militares amistosos baseados no respeito e no benefício mútuo", e lembrou que "nos últimos anos foram estabelecidos vínculos com intercâmbios completamente transparentes que não ameaçam terceiros".

O funcionário chinês disse que seu Governo "respeita estritamente a lei e os tratados internacionais em suas alianças militares com os países da América Latina e do Caribe", e acrescentou que "continuará fornecendo ajuda para o desenvolvimento de seus exércitos".

Sobre o fato de Pequim considerar necessário aprofundar a relação para combater novas formas de terrorismo, o dirigente afirmou que o país "está pronto para fortalecer a luta contra o terrorismo buscando vias efetivas e intercâmbio de pessoal e de informação para construir juntos capacidades para repelir ameaças não tradicionais".

O Livro Branco, classificado por Yang como "documento governamental solene", não contém dados sobre a dívida latino-americana com a China - "disposta a explorar formas de solucionar o problema", declarou o dirigente.

Além disso, tem o intuito de continuar exigindo da comunidade internacional, principalmente dos países desenvolvidos, a adoção de mais ações substanciais para o perdão e redução da dívida.

No primeiro livro de diretrizes sobre a região, após os da União Européia (2003) e da África (2006), a China defende continuar uma associação "ampla e de cooperação" com cada país, sempre respeitando a política de "uma só China" e com as entidades regionais.

Será muito positivo para a China o aumento dos intercâmbios comerciais, culturais e de pessoas além de novos Tratados de Livre-Comércio (atualmente só existe um com o Chile, estendido aos serviços), e de cooperação energética e recursos naturais.

"O estudo de viabilidade foi feito e em breve começarão as negociações. Já com o Chile esperamos ter sucesso após 6 rodadas de negociações (os principais obstáculos são os calçados e os produtos têxteis) antes da visita do presidente Hu Jintao à cúpula do Fórum de Cooperação Econômica Ásia-Pacífico (Apec) em Lima", acrescentou.

A publicação dos princípios da política chinesa para América Latina e Caribe, "e seu compromisso para promover a cooperação em benefício mútuo", chega com o anúncio da viagem de Hu a Washington, para a cúpula do G20, em 15 de novembro, e entre os dias 17 a 23 a Costa Rica, Cuba e Peru.

Será a primeira visita de Hu à Costa Rica, aliada de Pequim, depois de ter rompido relações diplomáticas com Taiwan. EFE pc/ev/fal

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